O cuidado com a saúde das mamas deve continuar durante todo o ano, e a investigação de alterações não pode ficar para depois. Esse foi um dos principais recados do médico Marcel Rizeti Barbosa, apresentado como cirurgião oncológico, em entrevista à RCM nesta terça-feira, (13) durante a campanha Outubro Rosa.
Na conversa, o médico destacou a importância de conhecer o próprio corpo, procurar avaliação profissional e realizar os exames indicados para cada situação. Ele explicou que alterações pequenas podem ser identificadas em exames antes de serem percebidas pelo toque, favorecendo o diagnóstico e o início do tratamento.
A dimensão da doença reforça a importância desse acompanhamento. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama feminina por ano no Brasil no triênio 2026–2028. Excluídos os tumores de pele não melanoma, esse é o câncer mais incidente entre as mulheres no país.
Nem todo nódulo é câncer, mas precisa de avaliação
Marcel esclareceu que encontrar um caroço na mama não significa, automaticamente, um diagnóstico de câncer. Existem nódulos benignos, como os fibroadenomas, mencionados pelo médico na entrevista. A orientação é buscar avaliação para esclarecer a alteração e definir a necessidade de acompanhamento ou tratamento.
Entre os sinais de alerta apontados pelo INCA estão nódulos endurecidos ou em crescimento, retração da pele ou do mamilo, pele com aspecto de casca de laranja, secreção com sangue e caroços na axila. Alterações suspeitas devem ser investigadas em qualquer idade.
Conhecer as características habituais das mamas ajuda a perceber mudanças. O INCA orienta observar e tocar as mamas quando a mulher se sentir confortável, sem exigir uma técnica ou calendário fixo de autoexame. Esse cuidado não substitui a avaliação profissional nem os exames indicados.
Quando fazer a mamografia?
O médico também abordou a idade para realizar exames e a necessidade de considerar o histórico familiar. Mulheres com maior risco precisam de avaliação individualizada para definir o acompanhamento.
Para o rastreamento de rotina no SUS, destinado a mulheres sem sinais ou sintomas suspeitos, a orientação atual do Ministério da Saúde é realizar mamografia dos 50 aos 74 anos, a cada dois anos. Dos 40 aos 49 anos e acima dos 74, o exame pode ser realizado por demanda, após orientação profissional sobre os possíveis benefícios e riscos. Essa recomendação de rotina não deve adiar a investigação de uma alteração suspeita. Fonte: Ministério da Saúde — Nota Técnica nº 626/2025
Mitos e cuidados que merecem atenção
Durante a entrevista, Marcel respondeu a dúvidas sobre desodorantes e sutiãs, afastando a associação desses produtos com o câncer de mama. O Hospital Universitário da UFGD, em orientação publicada pela rede federal de hospitais universitários, também esclarece que não há comprovação científica dessa relação.
Sobre próteses, tema igualmente abordado na conversa, cabe uma distinção: o câncer de mama é diferente do linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes, conhecido como BIA-ALCL. A agência reguladora dos Estados Unidos, FDA, informa que o risco desse linfoma é baixo, mas maior em implantes de superfície texturizada. Por isso, o acompanhamento das pacientes com próteses continua necessário.
Manter o peso adequado, praticar atividade física, adotar uma alimentação saudável e evitar bebidas alcoólicas são medidas que ajudam a reduzir o risco de câncer de mama. A amamentação também é um fator de proteção, sem garantir que a doença não ocorrerá.
Ao encerrar a entrevista, Marcel reforçou que o cuidado deve envolver a saúde da mulher como um todo. O Outubro Rosa funciona como um lembrete para que consultas, exames e atenção às mudanças no corpo façam parte da rotina ao longo do ano.












