Proposta reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, estabelece dois dias de descanso remunerado e mantém os salários; texto ainda precisa passar por duas votações no Senado.

O Senado Federal tem previsão de votar nesta quarta-feira, 14 de outubro, em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. A medida propõe substituir o modelo de seis dias de trabalho e um de descanso por uma jornada com cinco dias de trabalho e dois de folga remunerada.

O calendário foi anunciado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na sexta-feira (9). A proposta já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e está em análise no plenário do Senado.

Se aprovada em definitivo, a mudança poderá alcançar trabalhadores de diferentes setores da economia, incluindo comércio, serviços e outras atividades que atualmente utilizam a escala 6×1.

O que é a escala 6×1?

A escala 6×1 é uma organização da jornada em que o empregado trabalha durante seis dias e tem um dia de descanso semanal.

O modelo é utilizado em diferentes atividades econômicas, especialmente em estabelecimentos que funcionam durante boa parte da semana, como supermercados, lojas, restaurantes e determinados serviços.

Atualmente, a Constituição Federal estabelece uma jornada normal de trabalho de até oito horas diárias e 44 horas semanais, observadas as regras legais e os acordos aplicáveis.

O que a proposta pretende mudar?

A PEC 221/2019 estabelece alterações nas regras constitucionais da jornada de trabalho.

Entre as principais mudanças previstas estão:

  • Redução da jornada semanal: de 44 para 40 horas.
  • Dois dias de descanso remunerado: em substituição ao modelo de apenas uma folga semanal.
  • Manutenção dos salários: a redução da jornada não poderá resultar em diminuição proporcional da remuneração.
  • Período de transição: o texto prevê uma adaptação gradual às novas regras.

Na prática, a proposta busca estabelecer uma jornada de cinco dias de trabalho para dois de descanso, conhecida como escala 5×2.

Isso não significa, necessariamente, que todas as empresas passariam a fechar aos sábados e domingos. A organização dos dias de trabalho e descanso dependeria das regras aplicáveis a cada atividade.

Quando a mudança começaria a valer?

A alteração não entraria em vigor imediatamente após a primeira votação no Senado.

O texto prevê um período de transição de aproximadamente 14 meses para a implementação completa da redução da jornada. Durante essa etapa, a carga horária seria ajustada gradualmente até atingir o limite de 40 horas semanais.

Além disso, a proposta ainda depende da conclusão do processo legislativo. Portanto, a escala 6×1 continua permitida pelas regras atuais.

O que falta para a proposta ser aprovada?

Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, a matéria precisa ser aprovada em dois turnos no Senado, com o apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores em cada votação.

Antes da primeira votação, o regimento exige cinco sessões de discussão em plenário. Até a quinta-feira (8), três sessões haviam sido realizadas.

Caso o texto seja aprovado em primeiro turno, serão necessárias outras três sessões de discussão antes da votação em segundo turno, salvo eventual alteração do calendário pelos procedimentos regimentais.

Se a proposta for aprovada pelo Senado sem alterações que exijam nova análise da Câmara, poderá ser promulgada pelo Congresso Nacional. Uma emenda constitucional não depende de sanção presidencial.

O que muda para os trabalhadores de Maracaju?

Caso a proposta seja aprovada e entre em vigor, as novas regras terão alcance nacional e poderão afetar relações de trabalho também em Maracaju e nos demais municípios de Mato Grosso do Sul.

Entre os setores que poderão precisar adaptar suas escalas estão o comércio, os supermercados, os restaurantes e as empresas prestadoras de serviços.

Entretanto, ainda não há um levantamento apresentado nesta reportagem sobre quantos trabalhadores de Maracaju cumprem atualmente a escala 6×1, nem sobre os custos de uma eventual adaptação das empresas locais.

Esses impactos dependerão do texto definitivo aprovado pelo Congresso e das condições de organização de cada atividade econômica.

O que acontece agora?

A votação em primeiro turno está prevista para quarta-feira (14), mas a realização da sessão e seu resultado dependem do andamento dos trabalhos no Senado.

Até a conclusão de todas as etapas legislativas, nenhuma alteração na jornada semanal prevista pela PEC estará em vigor.

O Hoje Cidades acompanhará a tramitação da proposta e seus possíveis reflexos para trabalhadores e empregadores de Maracaju e região.