A morte de uma menina de três anos após ser atingida por uma trave de futebol durante uma comemoração do Dia das Crianças, no Paraná, reacendeu o alerta sobre a segurança de equipamentos esportivos utilizados por crianças. O caso, registrado no domingo (11), é o terceiro acidente fatal desse tipo envolvendo crianças no estado paranaense em 2026.

O problema, entretanto, não está distante da realidade de Mato Grosso do Sul. Maracaju já foi cenário de uma tragédia semelhante. Em setembro de 2012, uma menina de cinco anos morreu após ser atingida pela queda de uma trave de gol durante uma atividade recreativa em uma escola municipal.

Outro caso fatal foi registrado em Corumbá, em julho de 2019, quando um menino de nove anos morreu após um acidente envolvendo uma trave em uma quadra esportiva.

Os episódios demonstram a importância da manutenção, da fixação adequada e da fiscalização das estruturas instaladas em escolas, praças, centros esportivos e campos de futebol.

Menina de cinco anos morreu em escola de Maracaju

Em 18 de setembro de 2012, a estudante Evellyn Laura Medina Teixeira, de cinco anos, morreu após ser atingida na cabeça por uma trave de futebol na Escola Municipal Artur Tavares de Melo, localizada na região da Usina Maracaju, na estrada Água Fria.

Segundo reportagens publicadas na época pelo Campo Grande News, Correio do Estado e UOL, a menina participava de uma atividade recreativa com outras crianças na quadra da escola.

Os alunos brincavam de pular corda, e uma das extremidades da corda estava amarrada à estrutura do gol. Conforme os relatos de testemunhas divulgados na ocasião, a trave estava solta e acabou tombando sobre a criança.

Evellyn foi atingida na cabeça e morreu no local, apesar das tentativas de socorro.

A Polícia Civil instaurou investigação para esclarecer as circunstâncias do acidente.

Em 21 de setembro daquele ano, o Campo Grande News informou que o inquérito havia sido concluído sem indiciamento de responsáveis. O caso foi encaminhado ao Ministério Público Estadual como morte a esclarecer.

O registro histórico reforça que acidentes envolvendo traves de futebol não são uma possibilidade apenas teórica: já provocaram uma morte infantil no próprio município.

Outro acidente fatal aconteceu em Corumbá

Em 23 de julho de 2019, o menino Nícolas Josué Victório Táceo, de nove anos, morreu enquanto brincava em uma quadra esportiva no bairro Borrowiski, em Corumbá.

Segundo informações divulgadas pelo Campo Grande News, a criança estava pendurada em uma trave quando seu pé ficou preso na rede. Durante a queda, o menino sofreu um grave traumatismo craniano, e a estrutura metálica também tombou sobre ele.

Equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas, mas a criança não resistiu.

Esse é outro registro de morte infantil envolvendo traves de futebol encontrado em Mato Grosso do Sul. Os casos identificados nesta reportagem não representam necessariamente a totalidade das ocorrências registradas no estado.

Paraná registra três mortes de crianças em 2026

O caso mais recente aconteceu no domingo, 11 de outubro, em Imbaú, na região dos Campos Gerais do Paraná.

Heloise da Silva Cruz, de três anos, participava de uma festa comunitária em comemoração ao Dia das Crianças no Campo do Bonifácio quando uma trave de futebol tombou e atingiu seu abdômen.

A menina chegou a ser socorrida pelos pais e encaminhada a uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos.

A Polícia Civil do Paraná instaurou inquérito para investigar as circunstâncias do acidente e apurar eventuais responsabilidades.

Segundo reportagem do g1 publicada nesta terça-feira (13), outras duas crianças morreram no Paraná neste ano em ocorrências semelhantes.

Em fevereiro, um menino de sete anos morreu em uma escola municipal rural de Marquinho depois de se pendurar em uma trave que caiu sobre ele.

Em abril, uma menina de três anos morreu em uma escola particular de Prudentópolis após ser atingida por uma trave que tombou durante uma atividade recreativa.

Os três episódios ocorreram em ambientes frequentados por crianças e reforçam a necessidade de cuidados permanentes com a segurança das estruturas esportivas.

Como evitar acidentes com traves de futebol?

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou orientações específicas para a prevenção de acidentes fatais envolvendo traves de futebol.

A entidade alerta que essas estruturas, especialmente quando móveis ou inadequadamente fixadas, podem tombar e provocar ferimentos graves.

Entre as principais recomendações estão:

1. Fixação adequada: as traves devem estar firmemente presas, com sistemas de ancoragem apropriados às características do equipamento e do piso.

2. Inspeção antes das atividades: professores, responsáveis e gestores devem verificar a estabilidade das estruturas antes de liberar o espaço para uso.

3. Verificação de peças e conexões: parafusos, encaixes e outros componentes devem ser conferidos, com substituição imediata dos itens soltos ou danificados.

4. Atenção às traves móveis: equipamentos móveis devem ser utilizados apenas em superfícies adequadas e com fixação segura.

5. Proibição de brincadeiras na estrutura: crianças devem ser orientadas a não subir, balançar ou se pendurar nas traves e redes.

6. Cuidados quando o equipamento não estiver em uso: a SBP recomenda retirar as redes e manter os equipamentos em condições que impeçam movimentações perigosas.

7. Sinalização e orientação: placas de advertência e orientações frequentes ajudam a informar os usuários sobre os riscos.

A entidade também recomenda que professores de Educação Física incluam a avaliação das condições de segurança das quadras e dos equipamentos no planejamento das aulas.

Como identificar uma situação de risco?

Uma trave que se movimenta facilmente, apresenta sinais de instabilidade, peças danificadas ou ausência aparente de fixação deve ser tratada como potencialmente perigosa.

A simples aparência de uma estrutura metálica resistente não garante que ela esteja segura.

Se houver suspeita de risco, o espaço próximo ao equipamento deve ser isolado e a estrutura não deve ser utilizada até que seja inspecionada por profissionais responsáveis.

Pais e responsáveis também podem comunicar problemas à direção da escola, à administração do espaço esportivo ou ao órgão público responsável.

Não é recomendado que crianças ou usuários tentem testar a estabilidade de uma trave puxando ou balançando a estrutura.

E como está a segurança das traves em Maracaju atualmente?

A morte registrada em 2012 torna especialmente relevante uma questão: quais medidas de inspeção e manutenção são adotadas atualmente nos equipamentos esportivos utilizados por crianças em Maracaju?

Escolas, quadras municipais, praças e campos de futebol precisam contar com estruturas seguras para a realização de atividades esportivas e recreativas.

Entretanto, esta reportagem não dispõe de levantamento atualizado sobre as condições das traves instaladas nos espaços públicos do município.

Também não há, nas fontes consultadas, informações suficientes para afirmar se todas as unidades escolares e instalações esportivas passam por vistorias periódicas, quais são os critérios utilizados ou quando ocorreram as últimas inspeções.

Esses pontos precisam ser esclarecidos junto aos órgãos responsáveis pela educação, esporte e manutenção dos espaços públicos.

Prevenção exige atenção contínua

A prática esportiva é importante para o desenvolvimento infantil, mas os espaços destinados às atividades precisam oferecer condições adequadas de segurança.

Os acidentes registrados no Paraná e os casos históricos de Maracaju e Corumbá mostram que uma trave de futebol pode se transformar em um risco grave quando não há fixação segura ou quando o equipamento é utilizado de maneira inadequada.

A orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria é clara: a prevenção depende da combinação entre manutenção, inspeção, orientação às crianças e responsabilidade dos adultos e das instituições.

O Hoje Cidades acompanhará a questão da segurança das estruturas esportivas de Maracaju, especialmente nos espaços frequentados por crianças.

Fontes: g1 Paraná, reportagem de 13 de outubro de 2026; Agência Estado/UOL, reportagem de 12 de outubro de 2026; Campo Grande News, reportagens de 18 e 21 de setembro de 2012 e 24 de julho de 2019; Correio do Estado, 18 de setembro de 2012; Sociedade Brasileira de Pediatria, nota de alerta sobre prevenção de acidentes fatais com traves de futebol.