
Diretor artístico Gil Alves relembra como era trabalhar no rádio décadas atrás, explica a evolução técnica da emissora e destaca a participação cada vez maior do público na programação
Ao completar 48 anos de história, a RCM também celebra uma trajetória marcada pela capacidade de acompanhar as transformações da comunicação. Para o diretor artístico Gil Alves, o rádio mudou profundamente ao longo das décadas, mas sua essência permanece: estar próximo das pessoas e fazer com que o ouvinte se sinta parte da emissora.

Gil explica que o rádio tradicional, como era conhecido no passado, praticamente deixou de existir, mas isso não significa o fim do meio.
“O rádio, da forma que se conhecia, realmente já acabou. Só que o rádio é um camaleão. Ele vai se adaptando”
afirma.
Essa adaptação pode ser percebida na relação do rádio com a internet e, mais recentemente, com novas tecnologias. Para ele, cada transformação abriu novas possibilidades para as emissoras que souberam acompanhar o tempo.
“As ferramentas vieram para somar.”
destaca.
>> Confira a matéria especial que fizemos contando os 48 anos de história da RCM

Foto: Picasa
Da fita de rolo ao computador
Gil começou a trabalhar no rádio em 1982, inicialmente na operação de áudio. Naquela época, a estrutura era predominantemente analógica e os processos de produção exigiam muito mais tempo e trabalho manual.
Ele lembra que programas que hoje podem ser montados rapidamente no computador exigiam horas de gravação.
“Naquela época era literalmente quatro horas gravando”
conta, explicando que o trabalho envolvia discos, gravadores, mesas de áudio e fitas de rolo.
Os recursos para tratamento de voz também eram limitados. Equipamentos como compressor, limitador e reverberador precisavam ser físicos e faziam parte da estrutura do estúdio. Atualmente, praticamente todo esse processo pode ser realizado digitalmente.
“Hoje você faz tudo isso no computador. Eu gravo sua voz completamente seca, natural, e aí eu limpo ela, dou mais qualidade.”
Na RCM, esse cuidado também é aplicado aos comerciais e às vinhetas. Segundo o diretor artístico, a emissora utiliza processos de tratamento e masterização para entregar uma sonoridade de alta qualidade ao público.

Foto: Reprodução
Tecnologia para entregar um som melhor
A preocupação técnica não termina na produção. Gil explica que as músicas também passam por um processo de nivelamento antes de irem ao ar, justamente para evitar grandes diferenças de volume entre uma faixa e outra.
O objetivo é proporcionar uma experiência mais agradável para quem está ouvindo, independentemente do equipamento utilizado.
“Porque quando a qualidade está ruim, você percebe.”
explica.
Para ele, esse conjunto de cuidados interfere diretamente na permanência do público na programação. O resultado, segundo Gil, é uma audiência bastante fiel à RCM, com ouvintes que permanecem sintonizados durante um período significativo.
Uma rádio que fala com uma pessoa de cada vez

Foto: Reprodução
Além da qualidade sonora, outro diferencial apontado pelo diretor artístico está na maneira como a comunicação é construída. Mesmo falando para milhares de pessoas simultaneamente, a programação busca criar uma sensação de conversa individual.
“Falo com milhares de pessoas ao mesmo tempo, mas com uma de cada vez”
resume.
Essa característica se fortaleceu com as novas ferramentas de interação. O ouvinte, que antes fazia seus pedidos principalmente por telefone, hoje pode enviar áudios pelo WhatsApp. Esses materiais podem ser editados e tratados antes de entrarem no ar.
Gil explica que, quando necessário, é possível retirar ruídos, reduzir trechos excessivamente longos e melhorar a qualidade da voz do ouvinte em tempo real. A participação, dessa forma, deixa de ser apenas uma mensagem enviada para a rádio e passa a integrar a própria programação.
Uma rádio que se adapta sem perder sua identidade
A busca por inovação também aparece na criação das vinhetas, trilhas e elementos que formam a chamada “plástica” da emissora. Gil conta que procura evitar materiais genéricos e trabalha para que a RCM tenha uma identidade própria.
“Eu não uso nada genérico. Eu sempre crio”
afirma.
Um exemplo está nas vinhetas produzidas para cada estação do ano. Em vez de repetir as mesmas peças, a emissora cria novos materiais a cada período, justamente para provocar expectativa no ouvinte.
“Você consegue trazer o diferencial. Você fica diferente dos outros”
explica Gil.
As trilhas também são pensadas de acordo com cada locutor, buscando criar harmonia entre voz, música, vinheta e demais elementos da programação. A intenção, segundo ele, é fazer com que o conteúdo seja simplesmente agradável de ouvir.
Uma audiência que vai muito além de Maracaju

Foto: Acervo/RCM
A expansão tecnológica também fez com que a RCM ultrapassasse os limites da transmissão tradicional. Por meio do aplicativo e do site, a emissora acompanha ouvintes em diferentes partes do Brasil e do mundo.
Gil cita ouvintes frequentes em países como Alemanha, Finlândia, França, Portugal, Estados Unidos, Paraguai e Argentina. No Brasil, a audiência também alcança diferentes regiões e grandes centros, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro.
Essa presença reforça um dos conceitos adotados pela emissora: estar “com o ouvinte onde quer que ele esteja”. Para Gil, a estratégia de fortalecer o aplicativo e o site contribuiu para ampliar esse alcance.
Estrutura pensada para quem faz e para quem ouve
Dentro da RCM, a evolução tecnológica também pode ser percebida na própria estrutura dos estúdios. Segundo Gil, a emissora investe tanto em equipamentos quanto em softwares para proporcionar mais agilidade aos profissionais.
Os estúdios são planejados para facilitar o trabalho dos locutores, inclusive com múltiplos monitores que permitem acompanhar diferentes informações simultaneamente.
“Tudo é pensado”
afirma.
Segundo ele, essa estrutura dá mais dinamismo à programação e permite que o profissional tenha acesso às informações necessárias sem interromper o ritmo do programa.
Gil também destaca a liberdade para desenvolver o trabalho e a disposição da direção em investir na modernização da emissora. Para ele, esse ambiente contribui diretamente para a qualidade do resultado entregue ao público.
Quando o ouvinte deixa de ser apenas ouvinte
Toda essa estrutura tecnológica e artística tem um objetivo que vai além da qualidade técnica: aproximar as pessoas da rádio.
Gil afirma perceber que o público sente quando existe cuidado e envolvimento na produção.
“É impressionante como o pessoal sente que você está fazendo para ele”
comenta.
Um exemplo foi a produção de uma música e de um clipe que contou com a participação dos próprios ouvintes. Segundo ele, muitas pessoas enviaram áudios e vídeos para participar do projeto, mostrando o envolvimento existente entre a emissora e seu público.
Confira o vídeo abaixo:
Para o diretor artístico, é justamente essa combinação entre tecnologia, cuidado técnico e comunicação próxima que ajuda a manter a RCM relevante após 48 anos.
A rádio mudou, os equipamentos mudaram e os caminhos para chegar ao ouvinte se multiplicaram. Mas, na visão de Gil Alves, a essência permanece a mesma: fazer com que quem está do outro lado do rádio não se sinta apenas um espectador, mas parte da própria emissora.








