O Hospital Soriano Corrêa da Silva, em Maracaju, está entre as nove unidades hospitalares do interior de Mato Grosso do Sul contempladas por uma nova regulamentação estadual para o financiamento de cirurgias ortopédicas de alta complexidade. A medida foi publicada na sexta-feira, 23 de outubro, pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS).

A Resolução SES/MS nº 1.066, de 21 de outubro de 2026, estabelece uma modalidade excepcional e temporária de pagamento para determinados procedimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Pela nova regra, o Estado poderá financiar cirurgias quando o pagamento pelo sistema federal for rejeitado exclusivamente porque o hospital não possui a habilitação federal específica exigida para aquele procedimento.

A regulamentação procura ampliar as possibilidades de atendimento no interior, mas a inclusão do hospital de Maracaju não significa, por si só, que novas vagas cirúrgicas já estejam disponíveis.

Hospital de Maracaju aparece com limite de R$ 800 mil

O anexo da resolução estabelece um limite financeiro de R$ 800 mil para o Hospital Soriano Corrêa da Silva.

Esse valor, entretanto, exige uma explicação importante: não se trata necessariamente de uma nova verba de R$ 800 mil destinada ao município.

Os pagamentos deverão ocorrer dentro dos limites já estabelecidos pela Política Estadual de Incentivo Financeiro Hospitalar (PEHOSP), sem previsão automática de aumento de recursos.

A resolução também não esclarece a periodicidade do limite financeiro nem informa quantas cirurgias poderão ser realizadas com esse valor.

Além de Maracaju, a medida contempla hospitais de Sidrolândia, Nova Andradina, Bataguassu, Costa Rica, Aquidauana, Naviraí, Rio Brilhante e Coxim.

Como os pacientes serão atendidos?

Conforme a regulamentação, o acesso aos procedimentos ocorrerá exclusivamente pela regulação estadual de saúde.

A seleção deverá considerar critérios como gravidade do quadro clínico, tempo de espera, necessidade de atendimento na região e capacidade da unidade hospitalar.

Para participar da modalidade, os hospitais deverão comprovar a existência de profissionais qualificados, estrutura física, equipamentos e materiais adequados, além de atender às demais exigências técnicas e contratuais.

A norma prevê que a assistência necessária ao procedimento seja integral, incluindo as etapas pré-operatórias, cirurgia, anestesia, internação e acompanhamento pós-operatório.

Não poderá haver cobrança desses serviços aos pacientes ou familiares.

Hospital já possui histórico de atendimentos ortopédicos

O Hospital Soriano Corrêa da Silva já participa de iniciativas estaduais de atendimento especializado em ortopedia.

Em janeiro de 2026, a Secretaria de Estado de Saúde informou que Maracaju esteve entre os municípios envolvidos em um mutirão de cirurgias ortopédicas de alta complexidade realizado pelo programa MS Saúde — Mais Saúde, Menos Fila.

Além disso, em maio, a Prefeitura de Maracaju anunciou a reorganização dos atendimentos de ortopedia e traumatologia da rede municipal, com transferência dos atendimentos de traumatologia para o Hospital Soriano Corrêa a partir de junho.

Esse histórico mostra que a especialidade já fazia parte das atividades da unidade hospitalar. A dúvida agora é se a nova regulamentação permitirá ampliar o número de operações ou se atenderá principalmente à necessidade de financiar procedimentos já realizados.

Quantas cirurgias serão feitas? Ainda não há confirmação

Apesar da publicação da resolução, permanecem sem esclarecimento informações importantes para os pacientes de Maracaju.

O documento não apresenta o número de cirurgias previsto para o hospital, a quantidade de pacientes que aguardam atendimento, o tempo médio de espera ou um cronograma de execução dos procedimentos nessa nova modalidade.

Também não informa se haverá ampliação da equipe médica ou da capacidade de atendimento.

O Hoje Cidades está buscando mais detalhes sobre a aplicação da medida em Maracaju e prepara questionamentos à Secretaria de Estado de Saúde e à direção do Hospital Soriano Corrêa da Silva.

Entre os esclarecimentos solicitados estarão a quantidade de pacientes na fila, os procedimentos abrangidos, o histórico recente de cirurgias e a previsão de atendimento pela nova regulamentação.

A reportagem será atualizada assim que houver informações oficiais adicionais.

O que o paciente deve fazer?

A resolução não cria um sistema de inscrição direta para cirurgias nem autoriza o agendamento imediato de novos procedimentos.

Quem necessita de avaliação ortopédica deve continuar utilizando os canais habituais da rede pública de saúde. A eventual indicação cirúrgica e o encaminhamento devem seguir os fluxos assistenciais e de regulação correspondentes.

O Hoje Cidades seguirá acompanhando a aplicação da nova medida e seus possíveis impactos para os pacientes de Maracaju.