O último debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela TV Globo na sexta-feira (23), chegou ao noticiário deste sábado (24) com três destaques: a discussão de propostas, os ataques pessoais e a repercussão nas redes sociais. Reportagens e análises apontam diferenças em relação ao encontro anterior, na Band, mas não permitem concluir quanto o confronto influenciou a decisão dos eleitores.
Mediado por César Tralli, o programa teve três blocos com temas definidos e uma etapa de discussão livre. Economia, saúde e segurança pública estiveram entre os assuntos abordados antes do segundo turno, marcado para domingo (25). O Nexo Jornal destacou que as regras incentivaram a apresentação de propostas, embora não tenham impedido as ofensas.
O que os veículos destacaram
Na CNN Brasil, o jornalista Matheus Teixeira avaliou que houve mais espaço para programas de governo do que no debate anterior. Segundo sua análise, infraestrutura, saúde e política econômica ganharam algum aprofundamento, mas perderam espaço para acusações quando os candidatos passaram a administrar livremente o tempo.
O UOL também ressaltou a mudança ao longo da transmissão. A reportagem de Adriana Ferraz descreveu um início concentrado em propostas e um encerramento marcado por ofensas e acusações envolvendo os candidatos e pessoas próximas a eles. O portal relacionou essa diferença ao formato dos blocos.
Na Exame, André Martins apontou maior desenvoltura de Lula e uma postura mais formal e menos agressiva de Flávio em comparação com a Band. O texto também identificou semelhanças entre propostas dos adversários nas áreas sociais e de renegociação de dívidas. Na avaliação do autor, não houve um episódio negativo capaz de alterar significativamente a dinâmica da disputa.
Na Folha de S.Paulo, o colunista Igor Gielow atribuiu vantagem a Lula no confronto. O jornalista, porém, também registrou dificuldades do presidente no debate sobre contas públicas e considerou incerto o alcance da apresentação entre eleitores indecisos. Trata-se de uma avaliação do colunista, distinta de uma pesquisa sobre a recepção do público.
Troca de ofensas e verificação das declarações
Um dos episódios destacados pela Agência Brasil foi a referência de Flávio aos “nove dedos” de Lula. O presidente reagiu, mencionou o acidente de trabalho no qual perdeu um dedo e chamou o adversário de “miliciano”. O senador pediu desculpas pela referência e também contestou a acusação feita pelo petista.
As declarações dos candidatos também passaram por checagem. Em reportagem sobre o trabalho da Agência Lupa, a Folha registrou informações falsas, exageradas ou fora de contexto nas falas de ambos. A fundadora da agência, Cristina Tardáguila, ressaltou que a finalidade da verificação é esclarecer os fatos ao cidadão, e não distribuir um troféu de desempenho entre os participantes.
Como os internautas reagiram
Nas redes sociais, a repercussão combinou humor, críticas e manifestações de apoiadores. Uma seleção publicada pelo blog #Hashtag, da Folha, reuniu memes sobre os pedidos de Lula para que os espectadores pesquisassem informações no Google, reproduzidos como “Gugo”, além de ironias sobre falas de Flávio e sobre o formato do programa.
O jornal também registrou reações opostas à referência aos dedos do presidente: indignação entre apoiadores de Lula e manifestações favoráveis à provocação em publicações da direita. A coletânea incluiu piadas sobre a idade do petista e placares sobre declarações dos candidatos compartilhados por militantes dos dois campos.
Essas publicações documentam exemplos de reação, mas não formam uma amostra representativa do eleitorado. Na cobertura consultada para esta reportagem, não foi identificado um levantamento consolidado, específico do debate da Globo, que permita afirmar qual candidato teve aprovação majoritária nas redes ou quantos eleitores mudaram de voto após o encontro.










