A fusão do Ministério da Agricultura com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), anunciada na quarta-feira, 31, pela equipe do presidente eleito Jair Bolsonaro, provocou divisão entre os representantes do agronegócio. Enquanto sojicultores avaliam positivamente a fusão, lideranças da agroindústria e também o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, criticaram a decisão.
Depois da repercussão negativa, o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, declarou, na quarta-feira à noite, que “o presidente ainda não bateu o martelo” sobre a fusão. Foi o próprio Lorenzoni que anunciou a união das pastas no dia anterior. “Ele está analisando mais de um desenho de organização de ministérios. O que tem é o conceito: de 29 pastas vai cair para 14, 15 ou 16”, disse.
Lideranças do agronegócio como a Confederação Nacional da Agricultura, a Abiec, que reúne os exportadores de carne, e a Abiove, que representa a indústria processadora de soja, não quiseram se manifestar sobre a integração das duas pastas. O presidente da Sociedade Rural Brasileira, Marcelo Vieira, disse, por meio de nota, “que é preciso mais detalhes de como será feita a fusão para avaliar as consequências para o agronegócio”.
Já Maggi, em viagem aos Emirados Árabes, lamentou a decisão que, segundo ele, trará prejuízos ao agronegócio, muito cobrado pelos países da Europa pela preservação ambiental.
“Vejo essa decisão com restrição, principalmente em relação ao comércio internacional”, afirmou o diretor executivo da Associação Brasileira do Agronegócio, Luiz Cornacchioni. Ele explicou que o MMA é um órgão regulador e o da Agricultura é regulado pelo Meio Ambiente. Com a fusão, ele teme que o Ministério da Agricultura se sobreporia ao MMA. Isso passa um sinal muito ruim para o mercado externo que tem preocupação com produtos sustentáveis. O que estaria em risco, disse, são exportações anuais de US$ 100 bilhões do agronegócio, que sustentam a balança comercial.
Já Bartolomeu Braz Pereira, presidente da Aprosoja Brasil, que reúne os produtores, acredita que a fusão vai simplificar muitas coisas, como o excesso de burocracia que leva à propinagem. “As ONGs estão impregnadas dentro do Ministério do Meio Ambiente. Há ideologias de pessoas que acham que são protetoras do meio ambiente, mas quem protege o meio ambiente são os produtores.”
Entre as desvantagens da fusão, Felippe Serigati, pesquisador do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV, apontou o fato de que muitos assuntos tratados pelo MMA são transversais ao agronegócio, mas o setor não tem experiência para tratá-los. Maggi também faz essa ponderação e disse que o MMA cuida de questões que não são ligadas ao agronegócio, como energia, infraestrutura, mineração e petróleo.
fonte: terra









