O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou a segunda fase da Operação Dirty Pix para apurar suspeitas de desvios milionários de recursos públicos destinados à saúde em Sidrolândia. Segundo o órgão, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e 25 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria. A ação foi conduzida pela 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia, pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

De acordo com o MPMS, a investigação começou a partir da identificação de desvio de recursos públicos destinados à compra de um aparelho de ressonância magnética e de uma autoclave hospitalar, em convênio firmado entre o Estado de Mato Grosso do Sul e a Sociedade Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, entidade responsável pela gestão do Hospital de Sidrolândia. Com o avanço das apurações, o Ministério Público afirma ter encontrado indícios de desvios em outros convênios da área da saúde, com um modo de atuação que teria sido repetido ao longo do tempo.

Ainda segundo o MPMS, o esquema investigado teria atingido recursos públicos destinados à aquisição de equipamentos e materiais hospitalares, à compra de UTI móvel e também à execução de obras de reforma no Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa. Somados, os valores sob investigação ultrapassam R$ 18 milhões, conforme o órgão ministerial. O MPMS sustenta que havia planos de trabalho com informações fraudulentas, superfaturamento de bens e serviços e direcionamento de contratações para empresas previamente alinhadas ao grupo investigado.

Na edição desta quinta-feira (15), o jornal O Estado destacou que uma das novas frentes da investigação envolve justamente os recursos ligados à reforma do hospital, com foco sobre o investimento de R$ 8,5 milhões associado à obra. A reportagem afirma que novas evidências apontam que os investigados miraram esse montante enviado para a unidade de saúde em Sidrolândia.

A reforma e ampliação do Hospital Dona Elmíria foram celebradas oficialmente pela Prefeitura de Sidrolândia em dezembro de 2025. Em publicação institucional, o município informou que o hospital foi reinaugurado após uma ampla modernização da estrutura física. Segundo a prefeitura, a administração municipal destinou R$ 1,3 milhão para a conclusão da obra e adequação de setores essenciais, enquanto o investimento total anunciado para a reforma foi de R$ 8,5 milhões, por meio de convênio com a Itaipu Binacional, dentro do programa “Itaipu Mais que Energia”.

Conforme a mesma publicação oficial, a obra incluiu reforma geral das enfermarias, renovação da cozinha e lavanderia, modernização do setor de apartamentos, melhorias no pronto-socorro, substituição de instalações elétricas e telhado, além de climatização em quartos e salas. O hospital também ganhou novos espaços, entre eles área ampliada de consultórios e um espaço para UTI com capacidade para 10 leitos.

Em nota oficial, o MPMS diz que, após a entrada dos recursos públicos nas contas da entidade hospitalar, parte dos valores teria sido desviada de sua finalidade original e redistribuída por meio de sucessivas movimentações financeiras, com repasses diretos e indiretos a agentes políticos, articuladores, intermediários e interpostas pessoas. O caso segue em investigação, e as suspeitas ainda serão analisadas no curso do processo, sem conclusão judicial definitiva até o momento.