As quedas de energia em Maracaju foram tema de uma reunião na Câmara Municipal com representantes da Energisa. Vereadores, integrantes do poder público e representantes de entidades cobraram medidas para reduzir as interrupções, acelerar o atendimento e informar melhor os consumidores sobre quando a energia deve voltar.

Durante o encontro, foram apresentados relatos de alimentos perdidos, aparelhos danificados e dificuldades em casas, comércios, propriedades rurais e prédios públicos. Também houve reclamações de falta de energia mesmo em dias sem chuva ou ventania.

A Energisa informou ter investido R$ 13,5 milhões no município nos últimos dois anos e apresentou outros R$ 11 milhões em investimentos para 2026 e 2027. As obras incluem uma nova subestação, ampliação da rede e equipamentos que podem ser operados à distância.

Presidente da Câmara dos Vereadores de Maracaju, Rener Barbosa, com representantes da Energisa MS Foto: Vinicius Nunes

Levantamento reúne 241 reclamações

Um formulário disponibilizado pela Câmara recebeu 241 reclamações consideradas válidas. Entre as pessoas que responderam:

  • 66% relataram prejuízos, o equivalente a 160 participantes;
  • 51% disseram ter ficado mais de seis horas sem energia;
  • 74% se declararam muito descontentes com o serviço.

Os relatos incluem danos a eletrodomésticos e eletrônicos, perdas de alimentos e impactos no trabalho e na rotina das famílias. Uma mesma pessoa pode ter informado mais de um tipo de prejuízo.

Esses números representam quem respondeu ao formulário de reclamações. Não são uma pesquisa sobre a opinião de todos os moradores de Maracaju.

Dian Cleiton de Brito
Assessor Institucional da Energisa MS, esteve apresentando os números da instituição em reunião.
Foto: Vinicius Nunes

Energisa apresenta melhorias, mas vereadores questionam resultados

A empresa apresentou dados que apontam redução de aproximadamente 60% no tempo médio sem energia e de 61% na frequência média das interrupções em Maracaju, na comparação entre 2014 e 2025.

Vereadores questionaram do por que essa melhora ainda não ser percebida por consumidores que continuam enfrentando quedas constantes.

A Energisa respondeu que os indicadores são médias e que ainda existem locais com problemas que precisam de atenção específica. A empresa também destacou equipamentos que permitem operar a rede à distância, reduzindo a necessidade de deslocar equipes para algumas intervenções.

Nova subestação está entre os investimentos anunciados

A nova subestação deve ampliar a capacidade de fornecimento e criar alternativas para atender a cidade quando houver falhas em parte da rede, segundo a Energisa.

Na apresentação, a empresa indicou dezembro de 2026 como previsão de energização da estrutura, ou seja, sua conexão ao sistema elétrico. Também mencionou mudanças na distribuição da energia entre as redes em 2027.

Isso significa que as melhorias devem ocorrer em etapas. O material apresentado não informa quando cada bairro será beneficiado nem garante que todos os problemas serão resolvidos assim que a nova estrutura for energizada.

Procon relata casos de até 14 dias sem energia no campo

A situação da zona rural também foi discutida. Na manifestação do Procon, foram citadas propriedades que teriam ficado até 14 dias sem energia. A representação do Sindicato Rural levou queixas sobre interrupções prolongadas, oscilações e prejuízos a equipamentos, alimentos e abastecimento de água.

A Energisa afirmou que ocorrências graves podem exigir a reconstrução de trechos da rede e que o acesso a algumas propriedades dificulta o trabalho. Segundo a empresa, em situações críticas, serviços essenciais, como hospitais e abastecimento de água, têm prioridade.

As explicações foram gerais. Não foi apresentado um diagnóstico individual dos casos de maior duração relatados na reunião.

A distribuidora orientou que cada consumidor afetado registre sua ocorrência e volte a comunicar o problema se continuar sem energia após um reparo na região. Segundo a empresa, uma intervenção na rede pode não resolver uma falha específica em determinada ligação.

Atendimento e problemas na Arena Maracaju também geram cobranças

Os participantes pediram mais equipes, agilidade no atendimento telefônico e melhorias na agência local. O Procon relatou casos de consumidores que procuram a empresa várias vezes, não conseguem resolver o problema e acabam encaminhados ao órgão de defesa do consumidor.

A Secretaria de Obras apontou demora nas respostas, dificuldades para acompanhar pedidos pela internet e cancelamentos de protocolos sem explicação suficiente. Também relatou quedas recorrentes na Arena Maracaju, prejudicando atividades esportivas.

A Energisa afirmou que avaliaria as reclamações de atendimento e pediu os dados da ligação elétrica da Arena para uma análise técnica. Não foi confirmada uma data para solucionar esse caso.

Contas, dívidas e falta de informação entram no debate

Houve pedidos de esclarecimento sobre aumentos considerados fora do padrão nas contas de energia e sobre o protesto de dívidas em cartório.

A Energisa afirmou que as reclamações sobre consumo precisam ser analisadas individualmente. Sobre os protestos, explicou que considera fatores como o valor da dívida e a quantidade de contas em atraso. Não foi anunciada mudança nessa prática.

Outra cobrança foi por informações mais claras durante as interrupções: o que aconteceu, onde as equipes estão trabalhando e qual é a previsão de retorno da energia. Os participantes sugeriram ampliar a divulgação por rádio, WhatsApp e redes sociais.

Também foram discutidas ações conjuntas entre prefeitura e empresa para cuidar das árvores próximas à rede e planejar o plantio de espécies adequadas nas ruas.

O que ficou encaminhado na reunião

Os participantes pediram um plano de ação para Maracaju, com medidas, responsáveis e prazos. Também sugeriram uma nova reunião para acompanhar as respostas.

A Energisa solicitou que os casos fossem reunidos para análise e afirmou que daria retorno às reclamações encaminhadas.

A cobrança dos representantes locais é que os investimentos e as respostas resultem em menos interrupções e em um atendimento melhor para a população.