Nesta terça-feira (22), é celebrado o Dia Mundial Sem Carro, uma data que propõe uma reflexão sobre a maneira como as pessoas se deslocam pelas cidades. A iniciativa incentiva o uso de alternativas ao automóvel, como bicicleta, caminhada e transporte coletivo, além de colocar em discussão os impactos do trânsito sobre o meio ambiente, a mobilidade urbana e a qualidade de vida.

Para saber como os moradores de Maracaju enxergam essa questão, a equipe do Hoje Cidades foi às ruas e fez uma pergunta simples:

Você conseguiria passar um dia inteiro em Maracaju sem carro ou moto?

As respostas mostram que, para muitos moradores, deixar o veículo em casa ainda não é uma tarefa tão simples. Entre os principais obstáculos apontados estão as condições das calçadas, a falta de infraestrutura para ciclistas, a sinalização e o comportamento de alguns motoristas.

“As calçadas não dão para andar de carrinho”, relata moradora

A dona de casa Carla conta que, muitas vezes, acaba recorrendo ao carro por praticidade, principalmente quando surgem compromissos de última hora.

Dona de casa Carla disse ter dificuldade para andar nas calçadas da cidade com o carrinho. Ela é mãe do pequeno Lucas de 5 meses. Foto: Reprodução/Instagram

Para ela, melhorar a infraestrutura das ruas e das calçadas seria fundamental para estimular deslocamentos a pé ou de bicicleta.

“Eu acho que as calçadas, né? Arrumar as ruas. Tem rua que é muito estreitinha, não dá para andar a pé. As calçadas não dão para andar de carrinho. A situação do calçamento aqui mesmo. Como você vai andar com carrinho aqui? É muita dificuldade.”

Segundo Carla, as condições das vias e das calçadas acabam sendo um dos principais obstáculos para quem não utiliza veículos.

Empreendedora diz que tamanho da cidade dificulta ficar sem moto

Dona Marinete em entrevista ao Hoje Cidades. Foto: Reprodução/Instagram

A empreendedora Marinete também considera difícil passar um dia inteiro sem utilizar algum veículo. Ela afirma que o crescimento de Maracaju aumentou as distâncias e tornou a motocicleta importante para sua rotina de trabalho.

“É difícil, né? Porque hoje Maracaju tá longe. Já é muito grande, a população aumentou. Eu sem carro ainda fico, mas de moto não, porque é o meu corre. De moto eu não ficaria.”

Para ela, além de melhorias na infraestrutura, seria necessário investir em educação e conscientização no trânsito, tanto para motoristas quanto para pedestres.

Marinete também chama atenção para a falta de ciclovias em algumas regiões da cidade.

“Não tem, principalmente nas avenidas. Nas avenidas não tem. Essas avenidas, no caso bairro-centro, não têm. Eu acho. Nunca vi.”

Calçadas também são apontadas como problema

Quando questionada sobre as calçadas, a empreendedora afirma que a situação varia bastante de um local para outro.

“Tem umas que você tem como andar, tem umas que não. Tem umas que têm buraco, tem umas que são de terra.”

Para Marinete, a falta de condições adequadas pode inclusive causar estranhamento em pessoas que chegam de outras cidades e encontram dificuldades para caminhar pelas calçadas.

Na porta da escola, estudante chama atenção para segurança

Estudando do 9° ano, Isadora afirma que é complicadoa forma como as pessoas se comportam no trânsito.

A estudante Isadora trouxe outro ponto para a discussão: a segurança de quem circula próximo às escolas.

Ela relata que, apesar de se sentir segura em alguns momentos, situações envolvendo veículos trafegando de maneira irregular acabam gerando preocupação.

“Às vezes, quando passam alguns carros ali que estão na contramão, não dá tanta segurança. Porque eles é que estão errados. Vai que acontece alguma coisa e eles não querem arcar com o prejuízo.”

Segundo a estudante, a preocupação é ainda maior por se tratar de uma região com grande circulação de crianças, estudantes e trabalhadores.

Para ela, uma fiscalização mais presente poderia contribuir para melhorar a segurança.

“Eu acho que deveria ter bastante guardas de trânsito, essas coisas ali para cuidar disso, porque tem muita gente que acha que está certa no trânsito e não está.”

Isadora também avalia que as calçadas, de maneira geral, são boas, embora existam diferenças entre os locais.

Quando questionada sobre o principal problema para quem anda a pé, ela aponta a velocidade dos veículos.

“Os carros correm bastante, tem gente que não respeita.”

Motocicleta faz parte da rotina, mas bicicleta também aparece como alternativa

 

A dona de casa Waleuska utiliza bastante a motocicleta para trabalhar e realizar as atividades do dia a dia. Para ela, porém, seria possível passar um dia sem utilizar a moto e recorrer à bicicleta ou caminhar.

Na avaliação dela, optar por formas alternativas de deslocamento também pode contribuir para combater o sedentarismo e estimular uma rotina mais ativa.

Waleuska também chama atenção para as bicicletas elétricas, que passaram a fazer parte do trânsito das cidades.

Na avaliação dela, ainda existe falta de conhecimento entre alguns usuários sobre como utilizar esses veículos de maneira adequada no trânsito, principalmente em situações como a circulação em rotatórias.

Para ela, uma das alternativas seria ampliar as ações de educação no trânsito voltadas aos jovens, utilizando uma linguagem mais dinâmica e próxima da realidade deles.

Afinal, Maracaju está preparada para quem quer deixar o carro em casa?

As respostas dos moradores ouvidos pelo Hoje Cidades mostram que a discussão sobre mobilidade urbana vai muito além da escolha individual entre carro, moto, bicicleta ou caminhada.

Para quem gostaria de deixar o veículo em casa, surgem obstáculos relacionados à qualidade das calçadas, segurança, sinalização, comportamento dos motoristas e infraestrutura para bicicletas.

Ao mesmo tempo, os relatos mostram que existe interesse em utilizar alternativas ao automóvel quando as condições permitem.

O Dia Mundial Sem Carro, portanto, serve como uma oportunidade para olhar para a cidade sob a perspectiva de quem está fora de um carro ou de uma moto.

A pergunta não é apenas se o morador consegue deixar o veículo em casa por um dia, mas também se a cidade oferece condições para que ele possa fazer isso com segurança, conforto e autonomia.

Em Maracaju, os relatos das ruas mostram que ainda há diferentes desafios a serem discutidos — e que ouvir quem caminha, pedala e circula diariamente pela cidade pode ser um dos primeiros passos para entender o que precisa melhorar.

Órgão de trânsito foi procurado pelo Hoje Cidades

A reportagem também procurou o Gemutran para obter informações sobre as ações e os desafios da mobilidade urbana em Maracaju. Até o fechamento desta matéria, o órgão não havia respondido aos questionamentos enviados pelo Hoje Cidades. O espaço permanece aberto para manifestação.