‘Sumido’ há 5 anos em ações, ex-nomeado de Gerson Claro no Detran-MS é achado em 3 dias

Investigações 'aguardam' enquanto ninguém acha Gênis Barbosa; Midiamax localizou e ouviu o ex-servidor

Gerson Claro e Gênis Garcia Barbosa. (Reprodução)
Em três dias de apuração, o núcleo investigativo do Jornal Midiamax localizou Gênis Garcia Barbosa, réu por operar esquema de corrupção no Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul), onde atuou ao ser nomeado pelo deputado Gerson Claro, na época presidente do órgão de trânsito.
O apadrinhado de Claro responde a 14 ações penais por fraudes no Detran-MS e não é localizado pelo Ministério Público desde 2021, quando iniciou a tramitação do primeiro processo criminal contra Gênis.
Gênis foi nomeado para o cargo operacional após indicação política de Gerson Claro, quando este era diretor-presidente do Detran-MS, e foi ‘promovido’ a gerente de agência após trabalhar na campanha de Claro para deputado estadual, em 2018. Foi nesse cargo que, segundo as investigações, Gênis teria praticado as fraudes.
Aliás, a passagem de Claro pelo Detran-MS foi marcada por investigação da Operação Antivírus, em que o deputado chegou a ser preso acusado de fraudes na contratação da empresa Pirâmide Informática, com o objetivo de desviar dinheiro público.
Gerson Claro foi preso e solto no mesmo dia, em 29 de agosto de 2017, e pediu exoneração do Detran-MS dias depois. (Arquivo, Jornal Midiamax)
Desde então, a Justiça já tentou intimar Gênis para responder aos processos em pelo menos oito endereços fornecidos pelo Ministério Público, em três cidades: ,  (onde foi gerente de agência do Detran-MS) e . Em nenhuma ocasião ele foi localizado.
Responsável por um dos casos, o promotor de Justiça Jorge Ferreira Neto Júnior relembrou à Justiça as diversas tentativas de localizar o réu, reforçando que, na maioria dos casos, vizinhos informam aos oficiais de Justiça que ele saiu às pressas ou que não sabiam informar o paradeiro dele.
Em um dos casos, o oficial de Justiça constatou que um imóvel utilizado por Gênis para se esconder teria sido demolido, em Sidrolândia.
No processo, o promotor diz: “Ciente de todas as investigações que tramitam contra si, o denunciado, deliberadamente e permanentemente, deixou o local onde tinha residência, passando a ocultar seu paradeiro, pois nenhuma informação nova foi obtida, revelando que agora formaliza atos (ligações de água, luz e outros) em nome de terceiros“.
No documento, o promotor cita que teria realizado uma ‘vasta consulta’ para localizar outros endereços ligados a Gênis, até mesmo um sistema chamado ‘Robô Pesquisador de Endereços’, mas sem êxito.