Censo inédito ouviu 130 produtores, cerca de 40% dos suinocultores do Estado, e identificou potencial de expansão superior a 500 mil animais

A suinocultura de Mato Grosso do Sul demonstra forte intenção de crescimento. Setenta e cinco por cento dos produtores entrevistados em um levantamento inédito afirmaram que pretendem ampliar a produção nas propriedades, indicando um cenário de expansão para a atividade no Estado.

Os dados fazem parte do Censo da Suinocultura MS 2026, realizado pela Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores (ASUMAS) e executado pela Hilles Consultoria em Agronegócio. O levantamento ouviu 130 produtores rurais, aproximadamente 40% dos suinocultores de Mato Grosso do Sul, a partir de 70 perguntas sobre perfil, capacidade instalada, tecnologia, investimentos e principais gargalos da atividade.

Potencial para mais de 500 mil animais

Além do interesse dos produtores em crescer, o censo identificou potencial de expansão superior a 500 mil animais nas estruturas produtivas analisadas.

Segundo dados divulgados sobre o levantamento, as unidades de terminação concentram potencial para acrescentar 346.258 animais, enquanto as propriedades de ciclo completo apresentam possibilidade de expansão de 124.550 animais.

R$ 286,5 milhões em investimentos

O interesse pela ampliação também aparece nos investimentos projetados. O levantamento estima R$ 286,5 milhões em recursos destinados à expansão e modernização das propriedades.

Entre as áreas previstas estão investimentos em biometano, máquinas, energia solar fotovoltaica, automação e biodigestores. O censo também aponta que 75% dos produtores entrevistados utilizam crédito rural, enquanto 25% declararam não utilizar financiamento bancário.

Setor apresenta elevado nível de tecnologia

O levantamento mostra ainda um nível significativo de tecnificação nas propriedades pesquisadas.

Do total de participantes, 51,75% foram classificados com nível tecnológico alto, 42,11% com nível médio e 6,14% com nível baixo.

Em relação aos processos produtivos, o tratamento de dejetos está presente em 100% das propriedades pesquisadas. A alimentação automatizada é utilizada por 97,37%, enquanto 96,49% utilizam fertirrigação.

O estudo também identificou áreas agrícolas disponíveis para aplicação de dejetos que ainda são subutilizadas, apontando espaço para ampliar a produção de forma associada a práticas de sustentabilidade.

Principal desafio é encontrar integradoras

Apesar do cenário favorável, os produtores também apontaram obstáculos para transformar o potencial de expansão em crescimento efetivo.

A disponibilidade de empresas integradoras aparece como o principal gargalo, apontado por 57,28% dos entrevistados. Na sequência estão a mão de obra, com 16,50%, e o crédito rural, com 12,62%.

O diagnóstico, portanto, mostra que existe disposição para investir e ampliar a produção, mas a expansão depende também da estrutura disponível para integrar os produtores à cadeia produtiva.

Diagnóstico para orientar o futuro

Para a ASUMAS, o censo busca transformar as informações coletadas diretamente com os produtores em uma ferramenta para orientar decisões e investimentos no setor.

Os dados apresentados mostram uma cadeia que pretende crescer não apenas em número de animais, mas também em tecnologia, eficiência, sustentabilidade e modernização das propriedades.

O levantamento foi apresentado durante o Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, realizado em Dourados. A divulgação dos resultados também foi repercutida por entidades e veículos do setor agropecuário.