Politicando com Jota Menon de 9 de abril de 2022

CAÇA AO BARATO – Os brasileiros mais do que nunca precisaram se adaptar à nova realidade econômica nacional dos preços na estratosfera. A ordem do dia é pegar o lápis e a caderneta e sair de mercado em mercado em busca do mais barato para tentar economizar alguns reais.

NA HORA DA MORTE – Os preços das frutas e verduras, que integram a lista dos principais alimentos consumidos pelos brasileiros, estão com os preços pela hora da morte.

PREÇO DE BANANA – Nunca ficou tão fora de moda do que agora a famosa frase “preço de banana” para descrever produtos comercializados a preços bem abaixo dos praticados no mercado ou muito baratos. Há dias se tornou comum ver banana vendida a mais de R$ 10 o quilo em feiras, quitandas e supermercados.

MAIS CARO QUE A CARNE – Há muitos produtos da secção de hortifruti nos mercados que estão mais caros do que alguns cortes de carne. Recentemente, em Campo Grande, este escriba foi comprar tomate e se deparou com algo incrível: o fruto do tomateiro estava mais caro do que a costela bovina e o dobro do preço do quilo de carne de frango.

PUCHERO INVIÁVEL – Puchero é um cozido à base de ossos bovinos com legumes variados, como tomate, batata inglesa, batata doce, abóbora, cheiro verde etc. Criado pelos paraguaios, em Mato Grosso do Sul é um dos pratos populares mais apreciados pela população. O problema que até fazer puchero ficou inviável, pois os ossos com restos de carnes outrora vendidos a R$ 1 o quilo agora não são mais encontrados por menos de R$ 7 em lugar algum. E com o preço dos legumes…

PRATO DE LUXO – Até bem pouco visto com restrições pela elite por ser considerado um prato da culinária da classe mais humilde, o puchero acaba de se tornar prato de elite. É possível encontrar sua receita sofisticada em sites de grandes produtores de proteínas animais, como a Sadia. Do jeito que as coisas estão indo, de repente é mais viável economicamente fazer a receita “esquisita” da Sadia do que a tradicional receita criada pelos irmãos paraguaios.

ESTRANHO – O leitor deve estar estranhando a edição desta semana de Politicando por entender que está mais para economia do que política. Concordo com o estranhamento, mas, infelizmente, a economia acaba sendo um dos pilares da política em todo mundo, pois quando a economia de um governo vai mal das pernas, como a brasileira cuja inflação já ultrapassou os dois dígitos, o governo como um todo se torna mal avaliado pela população/eleitores.

SURPRESA – Mudando de abóbora para jerimum e de mandioca pra macaxeira, no âmbito da política podem surgir muitas surpresas até meados de maio. A candidatura a presidente da senadora Simone Tebet (foto acima), pelo MDB, que parecia cada vez mais naufragada no mar da falta de votos pode ganhar uma sobrevida, pois não se descarta a possibilidade de ela se tornar candidata única de uma suposta futura federação partidária formada pelo MDB, PSDB, União Brasil e Cidadania.

SEM RESTRIÇÃO – Se por um lado, Simone tem enfrentado dificuldades políticas porque não consegue deslanchar nas pesquisas de intenções de votos, por outro ela tem a vantagem de ser a candidata menos rejeitada dentre todos os nomes colocados nas pesquisas de intenção de votos. A isso ainda se soma o fato de ser mulher num cenário tradicionalmente dominado pela macharia.

REJEIÇÃO – Caso a suposta federação se concretize, o candidato indicado por cada integrante do grupo seria o seguinte: Luciano Bivar, pelo União Brasil, João Dória ou Eduardo Leite, pelo PSDB, Simone Tebet pelo MDB, e Roberto Freire, pelo Cidadania. Dentre esses nomes sairá um que será anunciado como candidato único do grupo no dia 18 de maio.

MEXE TUDO – Curiosamente, se for formada a coligação em nível nacional entre as quatro legendas, o acordo nacional deverá ser respeitado em nível regional, ou seja, MDB, PSDB, UB e Cidadania não poderão se coligar ou apoiar candidatos a presidente de outros partidos. Isso, contudo, não impedirá que cada um concorra ao Governo do Estado com seus candidatos próprios.

TRÊS NOMES – A tal da federação que vem sendo costurada em Brasília mexe com o cenário estadual, pois três dos quatro partidos envolvidos têm nomes fortes para a disputa da cadeira de governador do Estado. O MDB lidera as pesquisas com a pré-candidatura de André Puccinelli, o União Brasil vem na cola com a candidatura da deputada federal Rose Modesto e o PSDB vem trabalhando o nome do ex-secretário de Infraestrutura Eduardo Riedel que aposta no crescimento e na possibilidade de atingir os dois dígitos nas pesquisas eleitorais já a partir de meados desse mês.

SEM CANDIDATO – O Cidadania não cogitou o lançamento de candidato próprio para concorrer à sucessão de Reinaldo Azambuja.

PACOTÃO – O que pode acontecer, depois do dia 18 de maio, quando a tal federação promete anunciar a candidatura única e de consenso, são os partidos seguirem a nacional e fecharem um pacotão em torno de uma chapa que contemple as legendas com espaços na chapa majoritária composta por candidatos a governador (1), vice-governador (1), senador da República (1) e suplentes de senador da República (2).

Ex-governador André Puccinelli

SUPOSIÇÃO – Uma suposta chapa consensual entre os quatro partidos poderia ter, por exemplo, André Puccinelli, do MDB, candidato a governador, até por

Eduardo Riedel, PSDB

ser o mais velho e liderar as pesquisas; Eduardo Riedel, PSDB, candidato a vice-governador, por ser jovem e poder esperar uma nova

Rose Modesto, pré-candidato do União Brasil

oportunidade; Rose Modesto candidata ao Senado, porque vice ela já foi e não quer repetir cargo; e um indicado do Cidadania como primeiro suplente de Rose ao Senado, sobrando ainda uma vaguinha de segundo suplente de senador para caso de chegada de mais algum partido à coligação.

CHEGA – Já naveguei demais na maionese. Prometo que na semana que vem monto uma segunda possível chapa com os quatro partidos da federação hipotética entre MDB, PSDB, UB e Cidadania.

VIVA O PORCO – Descansado, depois de tanto comemorar o massacre do Alianz Parque e a estreia contundente na Libertadores de América, retorno à lide e ao costumeiro final de coluna por meio da qual saúdo o maior, espetacular e invencível Verdão do Parque Antárctica que hoje vai atropelar o Ceará que não tem culpa de nada, mas acabará sendo a primeira vítima do Porco em busca pelo undecacampeonato brasileiro. Viva o Porco!