O pecuarista Claudecy Oliveira Lemes, sob investigação por investir mais de R$ 25 milhões em desmate químico que afetou áreas totalizando 81 mil hectares no Pantanal Mato-grossense, optou pelo silêncio durante seu depoimento virtual prestado nesta terça-feira (16).
Segundo a delegada Liliane Muratta, a próxima etapa envolve concluir a investigação, relatar o inquérito e encaminhá-lo à Justiça para análise pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e possível oferecimento de denúncia. Ela explicou que, conforme decisão judicial, qualquer descumprimento das medidas aplicadas resultará em prisão preventiva.
A delegada também destacou a solidez das provas coletadas pela polícia. A promotora de Justiça, Ana Luiza Peterlini, ressaltou que alguns crimes são evidentes, como o desmatamento e o uso de agrotóxicos.
O MPMT recorreu da decisão que negou o pedido de prisão contra o pecuarista em 18 de março. O recurso foi protocolado na última sexta-feira (12) e aguarda decisão judicial.
Este incidente representa o maior dano ambiental já registrado no estado, conforme afirmou o MP. A área desmatada é equivalente ao território da cidade de Campinas (SP).
Os advogados de Claudecy afirmam que ele está cumprindo o acordo de reposição florestal estabelecido com o MP.
Durante o período de desmatamento químico, Claudecy deveria estar cumprindo um acordo assinado com o Ministério Público para restaurar a vegetação em áreas afetadas, conforme reportagem do Fantástico veiculada no último domingo (14).
Foram utilizados 25 agrotóxicos diferentes na vegetação do Pantanal, incluindo um com a substância 2,4-D, também empregada na Guerra do Vietnã.
Desde 2019, o pecuarista acumula 15 autuações por danos ambientais no Pantanal, permanecendo em liberdade sob medidas cautelares. Suas propriedades foram alvo de decisões judiciais que resultaram na indisponibilidade de 11 fazendas, na apreensão judicial dos animais e no embargo das áreas afetadas. Ele também está proibido de realizar atividades econômicas e de deixar o país.
O investigado enfrenta multas no valor de R$ 5,2 bilhões aplicadas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema-MT), além da avaliação do dano ambiental.
As investigações indicam que os crimes ambientais ocorreram em propriedades rurais em Barão de Melgaço, a 121 km de Cuiabá, área pertencente ao Pantanal Mato-grossense. O desmatamento resultou na morte de árvores e na destruição de áreas de preservação permanente e da biodiversidade.
O inquérito, resultado de uma investigação conjunta entre Polícia Civil, Ministério Público, Sema-MT, Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), Indea e Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), encontra-se em fase final de conclusão, após iniciar com denúncias anônimas.