Pacientes com Covid-19 serão tratados com plasma de sangue em MS

Foto: Ilustrativa

O Estado de Mato Grosso do Sul tem se tornado pioneiro em ações de combate ao Novo Coronavírus, e novamente se destaca por iniciar o tratamento em pacientes diagnosticados com a doença, usando o plasma de sangue humano.

MS vai participar de um estudo que pretende avaliar o impacto da transfusão de plasma de pessoas recuperadas da Covid-19 em pacientes com quadro clínico grave da doença.

A primeira coleta aconteceu nesta segunda (15/6), no Hemosul, em Campo Grande.

O estudo é encabeçado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP (Universidade de São Paulo) e conta, em Mato Grosso do Sul, com a participação do governo do Estado, por intermédio do Hemosul e Hospital Regional de MS, além de outras instituições, como Hospital Universitário da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Hospital das Clínicas da USP e da Escola Paulista de Medicina da UNIFESP (São Paulo).

No Estado, o responsável é o infectologista Júlio Henrique Croda. O estudo conta ainda com a participação de outros profissionais como Benedito Antônio Lopes da Fonseca, Benedito de Pina Almeida Prado Jr, Dante Langhi Jr, Dimas Tadeu Covas, Eugênia Maria Amorim Ubial, Gil Cunha De Santis e Rodrigo Calado de Saloma Rodrigues.

“A participação de MS nessa pesquisa confirma a disposição do governo do Estado, por intermédio da SES (Secretaria Estadual de Saúde), à qual o Hemosul e o Hospital Regional são vinculados, em estar sempre à frente com medidas e práticas inovadoras que visam oferecer o que for de melhor para a população sul-mato-grossense”, disse o secretário estadual de Saúde Geraldo Resende.

A pesquisa

Segundo a pesquisadora Patrícia Vieira da Silva, da UFMS, não há até o momento, terapia específica para a Covid-19, apesar das especulações acerca da possível eficácia de algumas drogas, como a hidroxicloroquina e o remdesivir. Uma alternativa potencialmente promissora de acordo com ela é a infusão de anticorpos pré-formados, oriundos de indivíduos convalescentes do Novo Coronavírus.

“O quadro clínico da infecção pelo SARS-CoV-2 é heterogêneo, com apresentação clínica leve e oligossintomática, ou mesmo assintomática, na maioria dos casos, mas uma parcela de pacientes apresenta evolução grave, com insuficiência respiratória, quadro responsável pela maioria das mortes”, afirma a pesquisadora.

O estudo vai trabalhar com a hipótese de que a transfusão de plasma de doador convalescente da Covid-19 poderá resultar em evolução clínica mais favorável e aumentar a taxa de sobrevida de indivíduos com acometimento grave pela doença.

Serão tratados com plasma 40 pacientes com a forma grave da Covid-19 que terão seus desfechos comparados com grupo controle constituído de 80 pacientes com a mesma doença, com características e gravidade clínica semelhante.

Cada paciente receberá uma dose aproximada de 10 mL/kg/dia de plasma (600 mL/dia para os adultos), por três dias consecutivos.

Os participantes do estudo serão recrutados dentre os pacientes com infecção grave da Covid-19, tratados no Hospital Universitário da UFMS e no Hospital Regional.

A alocação aleatória dos envolvidos em dois grupos, controle (tratamento convencional, dito “de suporte”) e experimental (receptores de plasma convalescente), se dará por sorteio eletrônico realizado por pessoa não envolvida no atendimento ao paciente. Pretende-se incluir 120 pessoas.

Luiz Guilherme – Maracaju Hoje