Maria da Conceição era professora da rede pública estadual em Araçatuba, interior paulista, quando a empresa do marido o transferiu para Mato Grosso do Sul. E lá estava ela de volta à sua terra. A rio-pardense morou na cidade onde nasceu até os 14 anos até que o pai, ferroviário aposentado, decidiu por ampliar as possibilidades de estudo dos filhos.
Foi assim que Araçatuba passou a ser o novo lar da família Brito. Lá Maria da Conceição estudou enquanto trabalhava no comércio. A faculdade de Letras foi terminada na Instituição Toledo, em Bauru, a 195 quilômetros, e desde o 2º ano ela dava aula. Vivendo em Araçá (denominação carinhosa da cidade) ela também casou e foi se estabelecendo, fincando raízes mesmo. Mas o destino queria que ela regressasse. Estava nos planos? Não. Porém “foi a melhor coisa que me aconteceu!”, exalta.
E aos 38 anos Maria se defrontava com um recomeço profissional, e é justamente aqui que o Poder Judiciário rompe. “Não foi fácil deixar a carreira para trás, mas as coisas passam e temos que acompanhar, e aí surgiu a oportunidade de prestar concurso para o ingresso no TJMS”, relembra.
Bastou essa chance para que ela assumisse o cargo de técnico judiciário. Trabalhou por dois anos na leitura de acórdãos. Depois foi nomeada, em cargo comissionado, a revisora de debates. Na revisão dos acórdãos, surgiu a oportunidade de dar aula de português para os colegas que procuravam se preparar para um novo certame. “Fase muito importante na minha vida porque não parei mais. Dei aula por 30 anos”, reparte ainda agradecida.
Ao mesmo tempo em que era servidora do Judiciário, tanto que gostava de sala de aula, prestou concurso para lecionar no ensino médio do Estado. Só não assumiu porque teria que largar o Tribunal de Justiça. Logo seguiu sua predestinação dando aula particular. “A sensação de poder colaborar para que o outro atingisse um objetivo, realizasse um sonho, é ótima. Já fui convidada para a posse de juiz e promotor de ex-alunos. Sempre me emociono muito. Até hoje a sensação persiste quando encontro com eles”, explica com carinho.
Seu marido, Mauro Cezar Duarte, depois passou no concurso da Secretaria de Estado de Fazenda. Carreiras dos pais redefinidas como já contado, daí os filhos nasceram sul-mato-grossenses e três das quatro netas igualmente. E hoje, aos 76 anos, Maria da Conceição de Brito Duarte tem uma vida de muitos privilégios. “Fase muito boa de só curtir netos e viajar. Faço aula de francês, inglês, música. Estou bem, ativa, saudável e tranquila. Gosto muito de ler. Livro é tudo de bom. Com o tempo preenchido, procuro me cuidar até onde Deus quiser”. Amém. (Secretaria de Comunicação).









