Na CNA, especialistas destacam potencial do Brasil na produção de SAF e biobunker

Encontro foi realizado na sede da CNA, em Brasília (DF)

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promoveu, na quarta (08), a 4ª edição do Agroenergia – Transição Energética Sustentável, com apoio da Embrapa Agroenergia. A edição deste ano debateu o Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e o biobunker (combustível marítimo sustentável), considerados estratégicos para a descarbonização dos setores aéreo e marítimo.
O vice-presidente de Trading da Inpasa, Gustavo Mariano, iniciou a programação com a palestra sobre o “Contexto Estratégico de SAF e Biobunker”.
Durante a apresentação, Gustavo afirmou que o Brasil é referência mundial em transição energética e destacou que a agricultura será a base da transformação dos diferentes modais de transporte.
“Grãos, óleo, etanol e biodiesel ganham novas aplicações na produção de SAF e biobunker, e a ampliação do uso de combustíveis renováveis fortalece ainda mais o papel estratégico do agro brasileiro.”
Mariano também ressaltou que a aprovação da Lei do Combustível do Futuro inaugurou a demanda regulatória para o SAF no país. “Começaremos com 1% de mistura de SAF nos combustíveis de aviação e chegaremos a 10% até 2037. O Brasil tem uma vantagem competitiva única porque reúne praticamente todas as rotas de produção de SAF. O desafio central agora é escalar a produção e reduzir os custos para garantir competitividade.”
Em sua fala, ele alertou ainda para a necessidade de o Brasil participar ativamente das discussões internacionais sobre critérios de sustentabilidade.
“Não podemos permitir que regulamentações internacionais excluam o Brasil com critérios que não são técnicos nem racionais. Nosso trabalho é demonstrar que o país é capaz de promover uma descarbonização efetiva.”
Painéis: O primeiro painel do dia abordou o tema “Mercado, demanda e oportunidades para o agro brasileiro”. A discussão foi mediada pelo chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Bruno Laviola, e reuniu o head de Biorrefino da Refinaria Riograndense, Flávio Mingorance; a gerente de Biocombustíveis da Caramuru Alimentos, Janaína Lemes; e a professora da Universidade de São Paulo (USP), Glaucia Souza.
Bruno Laviola destacou que o SAF e o biobunker representam mais do que novos biocombustíveis e devem ser vistos como uma oportunidade para agregar valor às matérias-primas produzidas pelo agro brasileiro.
Flávio Mingorance afirmou que o Brasil tem vocação para atender à crescente demanda mundial por combustíveis renováveis. Segundo ele, até 2030, os principais mercados serão Estados Unidos e Europa. Depois disso, a demanda será ampliada para outras regiões, com destaque para a Ásia e a Austrália.
Na avaliação de Janaína Lemes, a consolidação do etanol como plataforma global para a produção de SAF depende da atuação coordenada entre governo, entidades, associações e os demais elos da cadeia produtiva.
Já a professora Glaucia Souza destacou que os biocombustíveis continuarão desempenhando papel central na descarbonização do transporte, especialmente nos países emergentes.
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O segundo painel debateu “Políticas públicas, regulação e certificação” e foi moderado pelo diretor técnico adjunto da CNA, Maciel Silva. Participaram da discussão o deputado federal Arnaldo Jardim; o diretor de Programa da Secretaria Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Marlon Arraes; o assessor da Comissão Coordenadora para os Assuntos da Organização Marítima Internacional (IMO), Flávio Mathuiy; e o presidente da Airbus Brasil, Gilberto Peralta.
Ao abordar os instrumentos públicos voltados à ampliação da produção e do consumo de biocombustíveis, Arnaldo Jardim citou iniciativas como o Combustível do Futuro, o mercado de carbono, o Programa Mover e a Nova Indústria Brasil. Segundo ele, o país já dispõe de uma base regulatória capaz de impulsionar a descarbonização.
Marlon Arraes afirmou que a regulamentação do SAF está em estágio avançado, com previsão de publicação do decreto e avanço das normas pela ANAC e pela ANP, enquanto o combustível sustentável para navegação também evolui com recomendações elaboradas por um grupo técnico.
Flávio Mathuiy explicou que a regulamentação da Organização Marítima Internacional (IMO) deverá impulsionar a demanda global por combustíveis sustentáveis para navegação, criando uma oportunidade estratégica para o Brasil ampliar sua participação como produtor e exportador de biocombustíveis.
Ao encerrar o painel, Gilberto Peralta afirmou que, do ponto de vista técnico, a aviação já está preparada para utilizar o SAF, uma vez que a tecnologia e as especificações para o combustível já estão consolidadas. “O que falta agora é destravar os investimentos e acelerar a produção.”
Ao final dos painéis, os participantes responderam às perguntas do público.