Glória Menezes deixa legado de mais de seis décadas na televisão, no teatro e no cinema

Atriz deixa uma trajetória de mais de seis décadas no teatro, cinema e televisão, marcada por personagens inesquecíveis e por alguns dos capítulos mais importantes da dramaturgia brasileira

Fabio Rocha/TVGlobo

Atriz deixa uma trajetória de mais de seis décadas no teatro, cinema e televisão, marcada por personagens inesquecíveis e por alguns dos capítulos mais importantes da dramaturgia brasileira

O Brasil se despede de uma das maiores atrizes de sua história. Glória Menezes morreu aos 91 anos, nesta terça-feira (18), no Rio de Janeiro, encerrando uma trajetória de mais de seis décadas dedicada ao teatro, ao cinema e à televisão. Segundo informações divulgadas por sua assessoria, a atriz morreu de causas naturais.

Reconhecida como uma das grandes damas da televisão brasileira, Glória construiu uma carreira marcada pela versatilidade e por personagens que atravessaram gerações. Entre seus trabalhos mais lembrados estão Irmãos Coragem, Pai Herói, Rainha da Sucata, A Próxima Vítima, Senhora do Destino, A Favorita e Totalmente Demais.

Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, Nilcedes Soares de Magalhães — nome de batismo da atriz — mudou-se ainda criança com a família para São Paulo. Foi na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP) que começou sua formação artística e deu os primeiros passos no teatro.

O nome Glória Menezes surgiu na construção da carreira que a transformaria em um dos rostos mais conhecidos da televisão brasileira.


Os primeiros passos no teatro e no cinema

A carreira profissional de Glória ganhou força no final da década de 1950. Na televisão, participou de produções que ajudaram a consolidar a teledramaturgia brasileira, enquanto no teatro conquistou reconhecimento por sua atuação.

Um dos momentos mais importantes de sua trajetória veio no cinema, com O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo Duarte. Lançado em 1962, o filme tornou-se histórico ao conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes, feito que permanece como um dos grandes marcos do cinema brasileiro.


Pioneira da televisão brasileira

Glória Menezes também esteve entre as protagonistas de uma das primeiras grandes fases da teledramaturgia nacional. Em 1963, estrelou 2-5499 Ocupado, da TV Excelsior, considerada a primeira novela diária da televisão brasileira. A produção foi protagonizada ao lado de Tarcísio Meira, ator com quem formaria uma das parcerias mais emblemáticas da dramaturgia nacional.

Os dois se casaram e permaneceram juntos por quase seis décadas, até a morte de Tarcísio Meira, em 2021. O casal teve um filho, Tarcísio Filho. Glória também era mãe de Maria Amélia Brito e João Paulo Brito, do primeiro casamento.


Sucesso na TV Globo

Em 1967, Glória Menezes chegou à TV Globo e rapidamente se tornou um dos principais nomes do elenco da emissora. Na casa que ajudaria a transformar na principal referência da teledramaturgia brasileira, participou de dezenas de novelas e personagens marcantes.

Em Irmãos Coragem, exibida em 1970, interpretou Lara, personagem que apresentava múltiplas personalidades — Diana e Márcia — em um dos papéis mais lembrados de sua carreira.

Anos depois, em Pai Herói, interpretou Ana Preta. Já em 1990, viveu Laurinha Figueroa, uma das vilãs mais populares de Rainha da Sucata.

A atriz também integrou produções como Guerra dos Sexos, Brega & Chique, A Próxima Vítima, Torre de Babel, Senhora do Destino e A Favorita. Em 2008, na trama de João Emanuel Carneiro, interpretou Irene Fontini, personagem elegante, ingênua e de forte presença na história.


Uma carreira que atravessou gerações

Ao longo de mais de 60 anos de carreira, Glória Menezes transitou entre personagens dramáticos, vilãs, figuras cômicas e mulheres de diferentes perfis sociais.

Na televisão, tornou-se um dos rostos mais reconhecidos do país. No teatro e no cinema, também deixou trabalhos importantes, consolidando uma trajetória que ultrapassou as fronteiras da televisão.

Sua última novela foi Totalmente Demais, exibida em 2015. Em 2025, a atriz foi homenageada em um documentário do Globoplay que revisitou momentos de sua vida e de sua carreira.


Glória Menezes e Laura Cardoso: duas damas que se despediram com um dia de diferença

A despedida de Glória Menezes acontece em um momento especialmente marcante para a dramaturgia brasileira. Na noite anterior, em 17 de agosto, morreu Laura Cardoso, aos 98 anos, em São Paulo, também deixando uma das mais longas trajetórias da história da televisão nacional.

As duas atrizes não morreram na mesma data, mas a coincidência de terem partido com apenas 24 horas de diferença chamou a atenção de colegas, fãs e do público. Ambas atravessaram gerações, trabalharam no teatro, no cinema e na televisão e ajudaram a construir a história da dramaturgia brasileira.

A perda consecutiva de Laura Cardoso e Glória Menezes representa o encerramento de um capítulo importante da cultura nacional. Duas artistas de gerações próximas, com trajetórias distintas, mas unidas pelo mesmo legado: o de transformar personagens em memória e fazer da televisão brasileira parte da história de milhões de pessoas.