Curso de jornalismo da UFMS sofre represália da Reitoria

Os sites da instituição estão fora do ar e disciplinas laboratoriais não possuem técnicos para auxiliar os aprendizados

UFMS abre inscrições para pesquisadores visitantes - JD1 NotíciasNesta quarta-feira (24) professores e professoras do curso de jornalismo da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul se reuniram em uma reunião geral com alunos e alunas para explicar e denunciar a censura e o boicote que está em curso, provindo da reitoria da instituição.

Dentre os problemas enfrentados pelo curso estão a suspensão dos sites institucionais e a falta de técnicos para as matérias laboratoriais.

A reunião teve início às 16h no anfiteatro Marçal de Souza Tupã-Y. Durante o encontro, o corpo docente e discente expôs as suas indignações e ideias de como se manifestarem contra as medidas impostas pela Reitoria.

SUSPENSÃO DOS SITES

O curso de jornalismo da UFMS conta com quatro sites suspensos, sendo eles o institucional; o Primeira Notícia, portal jornalístico referente à disciplina de ciberjornalismo; o Projétil, jornal laboratório do curso e o site de Fotojornalismo.

O acesso a estas redes foi suspenso sem aviso prévio e está nessa situação desde julho. A justificativa apresentada é de que as informações presentes infringem as normas estabelecidas pela lei eleitoral, porém a legislação se refere a conteúdos publicitários relacionados à políticos, o que não se enquadra nas publicações que os sites do curso disponibilizam. Todas as informações publicadas são institucionais e possuem caráter jornalísticos com fins informativos.

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 assegura em seu artigo quinto o direito à informação como um direito básico a todo cidadão e cidadã brasileira. No mesmo documento, a liberdade de imprensa é garantida no artigo 220. Ambos os artigos são violados através das imposições realizadas pela Reitoria da UFMS, tendo como reitor, Marcelo Turine.

Além das violações à Constituição, este boqueio dos sites prejudica o processo de aprendizagem de quem está na graduação. A disciplina de ciberjornalismo fica impossibilitada de dar continuidade às produções sem que o acesso ao sistema seja feito, pois os ensinamos desta matéria são voltados ao jornalismo veiculado no ambiente da web, o que requer que s acadêmicos e acadêmicas tenham acesso ao site e aprendam a gerir as ferramentas do sistema.

A disciplina de Jornal Laboratório também sofre com essa realidade, pois apesar da sua produção jornalística ter como produto final um jornal impresso, também há a produção de conteúdos específicos para o digital. Esta limitação faz com que haja uma defasagem na capacitação dos futuros e das futuras jornalistas.

AUSÊNCIA DE TÉCNICOS

Outro problema enfrentado pelo curso é a ausência de técnicos para auxiliarem as disciplinas de Laboratório de Radiojornalismo e Laboratório de Telejornalismo. No caso da matéria televisiva, o boicote vem acontecendo desde o semestre passado, em que a professora responsável pela disciplina só tinha um técnico a disposição para editar as produções e não era suficiente para atender a quantidade de demanda. Neste segundo semestre, não há mais técnicos de edição e a disciplina conta com apenas um cinegrafista disponível para acompanhar as gravações das três turmas em vigência.

Em Radiojornalismo, um projeto que demorou oito anos para conseguir ser aprovado está impossibilitado de continuar por conta da ausência de técnicos. A Rádio Educativa da UFMS funciona divulgando conteúdos relacionados à pesquisa, ensino, extensão e inovação trabalhados no ambiente universitário. O curso de jornalismo participa da programação da rádio por meio da Rádio Corredor, projeto no qual alunos e alunas do curso conduzem um programa de radiofônico que é transmitido no corredor central da UFMS.

Além disso, a programação radiofônica do curso se estende para o programa Plural, uma produção que conta com outros professores do curso expondo trabalhos de diversas áreas e temáticas nesse recurso. Esse programa está suspenso também pela falta de técnicos para auxiliar nas transmissões. Desde o semestre anterior existem programas parados sem publicação por conta desse empecilho.

MUDANÇA DE BLOCO

O terceiro problema está relacionado à infraestrutura, pois a coordenação da Faculdade de Artes, Letras e Comunicação (FAALC) foi transferida para um bloco próximo ao Lago do Amor, bem distante de onde as outras salas e coordenações estão. O problema é que o “bloco novo” não foi entregue nas melhores condições, estando sujo, empoeirado e com acesso precário à internet.

No momento o curso de jornalismo não irá se deslocar, pois o bloco não possui laboratórios prontos e a graduação depende destes espaços. Porém, o Programa de Pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) já foi transferido para o novo local.