Recursos contratados entre julho e setembro incluem custeio, investimentos e Cédulas de Produto Rural; região Centro-Oeste registrou tíquete médio de R$ 1,07 milhão por operação

O crédito destinado à agricultura empresarial movimentou R$ 107,1 bilhões nos três primeiros meses da safra 2026/2027, entre julho e setembro deste ano. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e mostram a dimensão dos recursos utilizados para financiar a produção agropecuária brasileira neste início de ciclo.

O levantamento considera operações contratadas por produtores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), demais produtores empresariais e recursos obtidos por meio das Cédulas de Produto Rural (CPRs). Os números têm como base dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro, do Banco Central, além das registradoras de CPR.

Para Mato Grosso do Sul, um dos principais estados produtores de grãos e proteína animal do país, chama atenção o desempenho do Centro-Oeste, que apresentou o maior valor médio por contrato entre as regiões brasileiras.

CPR representa quase metade dos recursos

As Cédulas de Produto Rural tiveram participação expressiva no financiamento do setor.

Segundo o Mapa, foram movimentados R$ 50,3 bilhões em CPRs, valor equivalente a 46,9% dos R$ 107,1 bilhões contabilizados no período.

A CPR funciona como um instrumento de financiamento utilizado pelo produtor rural. Em termos simplificados, permite levantar recursos para a atividade agropecuária mediante compromisso relacionado à produção, seguindo as modalidades previstas para o título.

Já as operações tradicionais de custeio somaram R$ 36,4 bilhões, representando 34% do volume contabilizado nos primeiros três meses da safra.

Ao todo, foram registrados 116.274 contratos de crédito rural na agricultura empresarial, sendo 36.638 operações de CPR.

Onde o dinheiro foi aplicado?

Além dos recursos destinados diretamente ao custeio da produção, o levantamento mostra dinheiro direcionado a diferentes etapas da atividade agropecuária.

As operações para comercialização da produção somaram R$ 8 bilhões, enquanto o financiamento para industrialização, utilizado no processamento e na agregação de valor aos produtos, alcançou R$ 5 bilhões.

Os financiamentos para investimentos nas propriedades rurais chegaram a R$ 7,4 bilhões. Esses recursos podem financiar, entre outros itens, aquisição de máquinas e equipamentos, implantação de sistemas de irrigação e modernização da estrutura produtiva.

Entre os programas específicos de investimento, o Pronamp Investimento registrou R$ 1,019 bilhão e o RenovAgro, destinado a práticas agropecuárias sustentáveis, somou R$ 845 milhões.

Os mesmos números aparecem no levantamento publicado pelo jornal O Estado nesta quinta-feira (15), que destaca a importância do crédito para o início da safra e os desafios enfrentados pelo produtor no acesso aos recursos.

Centro-Oeste tem contratos de maior valor médio

Embora a Região Sul tenha concentrado o maior volume regional apresentado pelo levantamento, com R$ 18,6 bilhões, seguida pelo Sudeste, com R$ 17,8 bilhões, o Centro-Oeste contabilizou R$ 12,7 bilhões.

O destaque está no tamanho das operações: o Centro-Oeste teve o maior tíquete médio do país, de R$ 1,07 milhão por contrato.

No Sul, que concentrou maior número de contratos, o valor médio foi de R$ 515,1 mil. No Nordeste, chegou a R$ 960 mil.

O dado é especialmente relevante para uma região formada por estados de forte produção agrícola, como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, onde as propriedades e operações agropecuárias podem exigir elevado volume de capital para custeio e investimentos.

Recursos com juros equalizados chegam a R$ 20,4 bilhões

O governo federal programou R$ 97,6 bilhões em recursos equalizáveis para a safra 2026/2027. Nessas linhas, o Tesouro Nacional cobre parte da diferença entre a taxa praticada no financiamento rural e as condições de mercado.

Nos três primeiros meses do ciclo, R$ 20,4 bilhões já haviam sido concedidos por meio dessas linhas.

Entre os programas de investimento com recursos equalizados, o Pronamp liderou com R$ 942,3 milhões, seguido pelo RenovAgro, com R$ 841,4 milhões, e pelo Moderfrota, com R$ 639,9 milhões.

Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) responderam juntos por aproximadamente 73% das operações de investimento equalizadas no período.

Safra avança em Mato Grosso do Sul

A divulgação ocorre justamente durante o avanço da safra 2026/2027 em Mato Grosso do Sul. O crédito é uma das peças centrais do planejamento das propriedades, uma vez que despesas com sementes, fertilizantes, defensivos, combustível, máquinas, mão de obra e demais insumos precisam ser financiadas antes que a receita da colheita chegue ao produtor.

A reportagem de O Estado também destaca que o plantio da soja já começou no Estado em um cenário de custos de produção elevados e dificuldades de acesso ao crédito, fatores que aumentam a preocupação com a rentabilidade da atividade.

Para municípios de forte vocação agrícola, como Maracaju, o comportamento do crédito rural tem impacto direto não apenas dentro das propriedades, mas também sobre comércio, serviços, venda de máquinas, transportes e toda a cadeia ligada ao agronegócio.

O levantamento nacional divulgado pelo Mapa, porém, não informa nessa publicação quanto dos R$ 107,1 bilhões foi contratado especificamente em Mato Grosso do Sul ou em Maracaju. Esse recorte exige consulta específica aos dados do crédito rural.