Um dos grandes desafios para o produtor rural chama-se percevejo marrom
O percevejo marrom é um grande desafio no manejo de pragas na cultura da soja. Ao atacar as vagens de soja o percevejo afeta diretamente a produtividade e a sanidade do produto final.
Estima-se que na colheita os grãos atacados apresentem peso 40% inferior aos sadios implicando em perdas de até 10 sacas de soja por hectare.
Devido à limitação de ferramentas efetivas de manejo, essa praga tem tirado o sono do produtor rural, safra após safra.
Como próprio nome diz, esse inseto possui coloração marrom e mede cerca de 11 mm de comprimento. Ele sobrevive nas palhadas/restos culturais, ou migra para áreas de refúgio e de mata. Normalmente, fêmeas ovipositam nas folhas ou vagens em formato de massas ou fileiras com 5 a 7 ovos de cor amarelada. Ao eclodir, as ninfas de 1° estágio ficam juntas sobre os ovos e não causam danos. No 2° estágio já iniciam o processo de alimentação, mas os danos são insignificantes. No entanto, é no 3° estágio que os prejuízos da alimentação se tornam significativo.
Em fase inicial de cultivo, ataques podem levar ao abortamento de vagens e implicar no retardamento da maturação dos grãos. É comum observar a planta com retenção foliar e hastes verdes, distúrbio fisiológico denominada de Soja Louca I.
Já os ataques no seu período mais suscetível, o percevejo marrom da soja ao atacar as vagens e reduz o peso e o tamanho dos grãos. Os grãos também ficam enrugados e chochos, apresentando coloração de arroxeada a enegrecida. Dessa forma, em lavouras para a obtenção de sementes, as mesmas se tornam inviáveis para tal devido o seu baixo vigor.
Também pode haver danos na qualidade ou danos invisíveis ao produtor, tais como alterações nos teores de proteína e de óleo no grão. Por isso, após a venda da produção penalidades financeiras poderão vir acontecer por parte da indústria devido aos grãos escurecidos ou sujos que dificultam o beneficiamento e produção de óleo.
Embora o percevejo marrom se faça presente na área desde o período vegetativo da cultura, é no período reprodutivo que ocorrem os prejuízos. O estágio fenológico de maior susceptibilidade ocorre no início do desenvolvimento das vagens e vai até a maturação fisiológica da planta.
Entre as estratégias de controle do Manejo Integrado de Pragas, o controle químico por meio da pulverização de inseticidas tem sido a mais efetiva. Infelizmente os produtos comerciais destinados ao controle do percevejo marrom se limitam basicamente a três grupos químicos: Organofosforado, Piretróide e Neonicotinóide.
As suspeitas de resistência na maioria das vezes são falhas na aplicação ou pulverizações em momentos inadequados, como aplicações tardias. Mesmo assim é necessário prevenir a resistência para que os produtos continuem a ter eficiência de controle.
Para isso vão aqui algumas dicas para o bom controle da praga:
- Invista em tecnologia de aplicação: barra, bicos e vazão adequada;
- Pulverizar no momento de maior atividade da praga, normalmente nos meses mais quentes;
- Evitar “aplicações caronas” junto aos fungicidas para o controle da ferrugem asiática. Essas aplicações são feitas em intervalos de até 21 dias, o que pode ser inapropriado ao controle do percevejo marrom;
- Ainda nesse sentido, sempre utilize o monitoramento do Nível de Controle para direcionar suas pulverizações.
Ressalta-se que, além da eficiência dos inseticidas é importante priorizar aqueles seletivos a inimigos naturais. Inúmeros inimigos naturais são encontrados nas lavouras de soja. Eles contribuem na redução populacional do percevejo marrom, sendo os parasitoides de ovos os mais importantes.
Outras estratégias de controle também podem ser utilizadas e associadas aos métodos químico e biológico. Uma das alternativas é o uso de cultivares precoces associado à manipulação da época de semeadura. Também pense sobre o uso de plantas armadilhas.
Além disso, algumas novidades relacionadas ao manejo devem ser introduzidas no mercado em breve em forma de pacote tecnológico.
Apesar das dificuldades no controle do percevejo marrom, o monitoramento da praga para acertar o momento de aplicação maximiza as chances da efetividade do controle químico.
Ao lado desses métodos citados, outras estratégias como medidas culturais e biológicas contribuem para minimizar o impacto do ataque de percevejos na cultura da soja.
Assim, utilize todas essas estratégias e informações para melhorar seu manejo e combater eficientemente o percevejo marrom! (Com informações da Fundação MS).










