Time brasileiro fez frente ao campeão europeu no tempo regulamentar, mas desgaste físico e baixo nível dos reservas o faz ser dominado na prorrogação e derrotado por 2 a 1
Lukaku marcou para o Chelsea o primeiro gol da partida em Abu Dhabi Foto: Karim Sahib/AFP
Rafael Oliveira
O GLOBO
Era o jogo perfeito para o Palmeiras quebrar o jejum de títulos mundiais dos times brasileiros. Entrou em campo com uma estratégia que anulou o ataque do Chelsea — um adversário bem menos implacável do que os europeus dos anos anteriores — e levou perigo com seus contra-ataques. Até com a sorte ele pôde contar. Parecia que, desta vez, o sonho seria realizado. Mas a realidade do mercado do futebol mundial se impôs. O time inglês não brilhou. Mas, muito mais rico, contou com a vantagem de ter um banco forte. Não à toa, fez o gol da vitória por 2 a 1 já nos últimos minutos do segundo tempo da prorrogação, quando o desgaste físico era o inimigo mais feroz para os dois lados.
Thomas Tuchel colocou em campo Sarr, Ziyech, Saúl, Pulisic e Timo Werner, sendo quatro destes com passagem por suas seleções. Já Abel Ferreira optou, dentro do que o banco lhe oferecia, por Deyverson, Jailson, Atuesta, Wesley e Rafael Navarro, jogadores que não conseguem manter o nível de seus titulares. Ainda mais diante do campeão europeu.
Apesar disso, ao contrário do ano passado, o Mundial de clubes chega ao fim com o torcedor do Palmeiras orgulhoso. Depois da vitória com ampla superioridade na semifinal, ele viu seu time encarar de frente o campeão europeu durante os dois tempos de jogo. Só que, na prorrogação, o desnível dos dois bancos falou mais alto.
Ainda assim, a partida ficou marcada por dois pênaltis. Mas em contextos bem distintos. O favorável ao Palmeiras ocorreu numa jogada pouco ameaçadora quando os sul-americanos tentavam se reencontrar no jogo. O outro, que decretou o placar, saiu quando o time inglês era soberano em campo e empurrava os rivais dentro de sua área. Mas o confronto, de altos e baixos para os dois lados, vai muito além disso.
Linha de 6 anula Chelsea
Apesar dos impressionantes 71% de posse do Chelsea na primeira etapa, não se pode dizer que a equipe inglesa “amassou” o Palmeiras. Primeiro porque deixar o rival ficar com a bola faz parte do estilo do time de Abel Ferreira. Mas o mais importante é que o técnico português implantou uma estratégia defensiva quase perfeita. Por mais que os “Blues” tenham ficado com a bola por muito mais tempo, não conseguiram levar muito perigo.
O ferrolho palmeirense foi muito inteligente. Como os meias e os alas do Chelsea se revezam nos avanços pelos lados do campo, Marcos Rocha e Rony cuidaram do lado direito e Piquerez e Scarpa fecharam pela esquerda. No meio, Gustavo Gómez e Luan foram sombras de Lukaku, que não encontrou espaço. A linha de seis fez com que o time inglês passasse a maior do tempo rodando a bola na intermediária sem conseguir infiltrar.
A marcação só não foi 100% perfeita porque Thiago Silva teve espaço de sobra para armar o jogo por trás. Em alguns momentos, o zagueiro brasileiro até achou espaço para finalizar com perigo.
Com a bola nos pés, também foi o Palmeiras quem teve as melhores chances da primeira etapa. Como já era de se esperar, o time apostou na ligação direta. Dudu teve as melhores chances, mas pecou na finalização. Quando nao erravam na conclusão, os palmeirenses paravam nas escolhas erradas.
A sorte entra em cena
Na etapa final, o cansaço e a dificuldade natural de se manter concentrado o tempo todo levou a erros que garantiram ao jogo a dose de emoção que faltou no primeiro tempo. Rony, muito exigido tanto atrás quanto na frente, desmoronou e não conseguiu manter o mesmo nível de proteção pelo seu lado. Com isso, a dupla Hudson-Odoi ganhou o espaço que não teve até então. E, aos 9, levantou na medida para Lukaku. O belga aproveitou que Gustavo Gómez não estava na marcação e levou a melhor sobre Luan para abrir o placar.
O Palmeiras sentiu o gol e, por um breve momento, os jogadores ficaram desorientados em campo enquanto o Chelsea tentava marcar o segundo. Só que um erro do outro lado mudaria tudo. Aos 15, Thiago Silva esticou o braço enquanto disputava uma bola no alto com Dudu. Ela encostou em sua mão. Pênalti que Raphael Veiga não perdoou.
O empate recolocou o time brasileiro na partida, mas o desgaste dos dois lados comprometeu demais o jogo a partir daí. Nenhuma equipe abriu mão de sua proposta. O Chelsea seguiu propondo o jogo e tentando explorar os lados do campo. O Palmeiras manteve sua linha de seis e esperou por um contra-ataque certeiro. Só que, à medida que as peças eram trocadas, o cenário foi se tornando mais favorável para os ingleses, que conseguiram manter o padrão mais do que o rival.
Chelsea cresce na prorrogação
Embora seguisse se defendendo bem, o Palmeiras sentiu demais as saídas de Zé Rafael e, principalmente, de Veiga. Seus substitutos não entregaram o mesmo. Jailson entrou para auxiliar na marcação. Já Atuesta não soube fazer a ligação. Para completar, Dudu perdeu todas as suas forças, e Rafael Navarro não soube suprir sua saída.
Na prorrogação, o time de Abel Ferreira se resumiu a se proteger e errar a saída de bola, o que o obrigava a se defender de novo. O que seguiu fazendo muito bem, diga-se de passagem. Só que, assim como Thiago Silva, Luan (que depois ainda seria expulso) deixou o braço levantado no lugar errado. E pior: no momento errado. A bola tocou em sua mão dentro da área aos 9 do segundo tempo da prorrogação. Novo pênalti que Havertz cobrou com categoria para assegurar o título de um Chelsea que, se não foi brilhante, ao menos soube usufruir da maior quantidade de talentos individuais em seu elenco.
São Marcos pode ter falhado naquela final, mas a imagem do pentacampeão do mundo como um dos maiores ídolos palmeirenses segue intocada entre os torcedores. Depois de encerrar a carreira inteiramente feita no Verdão, ganhou busto, chegou a ser embaixador do clube e hoje é empresário, ainda com fortíssima ligação à equipe. Foto: Instagram/Marcos R S ReisMulti-campeão pelo clube, o lateral-direito paraguaio Arce disputou a Copa do Mundo de 2002 e se aposentou quatro anos depois. Lenda do futebol de seu país, hoje é técnico do Cerro Porteño, clube pelo qual conquistou dois nacionais. Foto: Divulgação/Cerro PorteñoO lateral-esquerdo Júnior esteve no elenco da seleção brasileira pentacampeã do mundo em 2002 e ainda viria a ganhar Libertadores e Mundial pelo rival São Paulo. Aposentou-se em 2010 e, desde então, tem participado de eventos. Nas horas vagas, se dedica à pescaria, que descreve como o ‘segundo esporte favorito’ em seu perfil no Instagram. Foto: Instagram/Júnior SouzaApós a passagem pelo Palmeiras, o zagueiro Roque Júnior fez carreira em clubes Europeus, com passagens por Milan e Bayer Leverkusen, além de ter sido pentacampeão mundial em 2002 com a Seleção Brasileira. Voltou ao Palmeiras em 2008 e aposentou-se dois anos depois. Após deixar os gramados, arriscou-se na carreira de técnico por XV de Piracicaba e Ituano, além de ter atuado como diretor de futebol de Ferroviária e Paraná. Foto: Twitter/Roque JúniorPolêmico e sem papas na língua, Junior Baiano passou — e venceu — por grandes clubes do futebol brasileiro, com Vasco e Flamengo, além de ter sido vice-campeão mundial com a Seleção Brasileira, em 1998. O zagueiro rodou por clubes de menor expressão antes de encerrar a carreira no futebol norte-americano, em 2009. Fora dos gramados, tentou a carreira de técnico por Santa Helena e Itumbiara, sem muito sucesso. Foto: Reprodução/Youtube TV TorcedoresNome icônico do futebol brasileiro, Cesar Sampaio teve carreira vitoriosa, jogando pelos quatro grandes de São Paulo e disputando Copa do Mundo em 1998. Após a aposentadoria, em 2004, atuou como comentarista, dirigente e empresário. Hoje, é auxiliar técnico da Seleção Brasileira. Foto: Kin Saito/Divulgação/CBFVolante de força e imposição física revelado pelo Verdão, Galeano teve carreira movimentada e passou por outros 14 clubes, como Botafogo e Juventude, antes de encerrar a carreira, em 2019. Depois de pendurar as chuteiras, foi dirigente do Ituano, coordenador técnico do Palmeiras e auxiliar de Antônio Carlos Zago no Juventude, em 2016. Foto: Arthur Dallegrave / E.C.JuventudeTetracampeão mundial em 94, Zinho venceu a Libertadores de 1999 em sua segunda passagem pelo Verdão. Rodou por grandes clubes brasileiros até se aposentar em 2007. Fora dos gramados, foi dirigente (Flamengo e Santos), auxiliar técnico de Jorginho (Vasco) e hoje é comentarista de TV. Foto: Twitter/ZinhoUm dos meias mais talentosos dos anos 2000, o multi-vitorioso Alex (esquerda) teve grandes passagens por outros clubes brasileiros, com destaque para o Cruzeiro. Virou lenda no Fenerbache, da Turquia, e aposentou-se no Coritiba, em 2014. Foi comentarista de TV e anunciou, em 2020, que iniciaria a carreira de técnico. Foto: Twitter/Alex de SouzaContratado como reforço de peso para a disputa do Mundial, o colombiano Asprilla ficou até 2000 no Palmeiras, antes de partir para o Fluminense. Um dos grandes nomes da história da seleção colombiana, disputou as copas de 1994 e 1998, rodou pelo futebol sul-americano e aposentou-se em 2004. Voltou ao futebol brevemente, por clubes de menor expressão, até 2009. Hoje, é empresário e lançou sua própria linha de preservativos. Foto: Twitter/Faustino AsprillaO “Diabo Loiro” Paulo Nunes foi parte de grandes ataques do futebol brasileiro nos anos 90. Viveu grande fase por Grêmio e Palmeiras no fim daquela década e manteve rivalidade eletrizante com o Corinthians, clube no qual jogaria em 2021, sob protestos da torcida. Depois de aposentado, participou de reality show. Hoje, é comentarista do Grupo Globo. Foto: Reprodução/TVArtilheiro dos gols importantes pelo Verdão, Oseás foi um dos principais atacantes do futebol brasileiro daquela época. Depois da trajetória de títulos pelo Palmeiras, atuou por clubes como Cruzeiro, Santos e Internacional. Aposentou-se em 2015 e hoje é empresário do ramo imobiliário. Foto: Oséas Silva/InstagramReserva de luxo daquela equipe, o experiente atacante Evair deixou o Palmeiras em 2000 como um dos maiores artilheiros do clube. Passou ainda pelo rival São Paulo e por clubes como Goiás e Figueirense, antes de se aposentar em 2013. Atuou como empresário e como técnico de equipes como Vila Nova, Itumbiara e River-PI. Segue muito ligado ao clube e esteve presente na final da Libertadores. Foto: Instagram/Evair PaulinoO ‘filho do vento’ Euller (esquerda) se transferiu para o Vasco após a decisão. Depois, passou pelo futebol japonês e pelo São Caetano, mas foi em três passagens pelo América-MG, clube que o projetou para o futebol, que Euller reforçou sua idolatria. Já no fim da carreira, foi campeão brasileiro da Série C e da Segundona do Mineiro. Aposentado desde 2011, o ex-atacante é técnico do Safor Club, da sétima divisão da Espanha. Por lá, vem fazendo cursos da Uefa para técnicos. Foto: América-MG/Divulgação
Luiz Felipe Scolari, o Felipão, dispensa maiores apresentações no futebol brasileiro. Após o projeto vencedor entre 1997 e 2000 pelo Verdão, foi pentacampeão do mundo com a Seleção Brasileira em 2002. Voltaria ao Palmeiras em 2010 e 2018, vencendo a Copa do Brasil de 2012 e o Brasileirão de 2018. Seu último trabalho foi no Cruzeiro, encerrado ainda este ano. Foto: Igor Sales/Cruzeiro