‘Volta para a mamãe só mais um pouquinho’, diz mãe de garoto morto em tragédia

Familiares se despedem de Davi, uma das cinco crianças que morreram na creche de Janaúba (MG) - Sérgio Roxo / Agência O GLOBO

Familiares acompanham velório de crianças que morreram em creche de Janaúba

 

Sérgio Roxo, enviado especial do Globo

06/10/2017 11h00

JANAÚBA (MG) – “Volta para a mamãe, Davi, só mais um pouquinho”, pedia, aos prantos, Fernanda, sentada ao lado do caixão do filho Luiz Davi Carlos de Rodrigues, de 4 anos, uma das vítimas da tragédia de Janaúba (MG). Além de Luiz Davi, outras quatro crianças e dois adultos morreram na tragédia.

O garoto foi velado na sala da casa da avó no bairro Barbosa, uma área de casas simples localizada a cerca de 500 metros do local da tragédia. É comum, na região, o hábito de velar familiares em casa.

Os móveis da sala foram retirados para que o caixão pudesse ser colocado no local. Um lençol enfeitado com flores foi pregado na parede. Atrás do caixão, os parentes instalaram uma cruz, com duas velas.

A mãe permaneceu boa parte do tempo sentada numa cadeira ao lado do corpo do filho, vestido com uma gravata.

— Eu sinto muita falta — dizia Fernanda, enquanto era consolada por familiares.

O corpo chegou à casa da avó por volta das 7h. O velório deve se estender até as 12h, quando está marcado o enterro.

Na manhã de quinta-feira, o vigia Damião Soares dos Santos, de 50 anos, fechou as portas da Creche Gente Inocente, jogou gasolina no próprio corpo, nas crianças e em seguida ateou fogo. Uma professora e o próprio Damião também morreram.

Ao menos 42 pessoas foram hospitalizadas com queimaduras no corpo e por ter inalado fumaça tóxica, segundo o Corpo de Bombeiros.

AS VÍTIMAS:

– Juan Pablo Cruz dos Santos, 4 anos;

– Luiz Davi Carlos Rodrigues, 4 anos;

– Ruan Miguel Soares Silva, 4 anos;

– Ana Clara Ferreira Silva, 4 anos;

– Renan Nicolas dos Santos Silva, 4 anos;

– Helley Abreu Batista, de 43 anos (professora); e

– Damião Soares dos Santos, 50 anos (assassino).