Violência contra mulher é maior no interior do Estado, aponta relatório

Divulgado no final da tarde de ontem (1º/6), pelo Governo do Estado e por meio do programa ‘Não se cale’, o mapa dos casos de feminicídio em Mato Grosso do Sul, referente aos casos registrados em 2019. Se em uma época onde o Mundo não passava por pandemia e precisava ficar em casa, a violência contra a mulher não deu trégua, imagina agora, que desde março, o Brasil vive sob quarentena imposta pela Covid-19.

Conforme o relatório, de 2015 a 2019, período que começaram os trabalhos de monitoramento de agressões domésticas, o Estado registou 458 casos de mulheres agredidas, sendo que desse total, 140 não sobreviveram para contar história. Sobreviverem 318.

No ano passado, pelo menos 130 mulheres sofreram algum tipo de agressão.
98 sobreviverem ao feminicídio, mas 30 infelizmente não tiveram a mesma sorte. O relatório mostra também que a cada mês, eram registrados 130 boletins de ocorrência por estupro, a cada semana, 150 relataram terem sofrido lesão corporal.

A cada dia, 51 mulheres denunciaram algum tipo de violência doméstica, e a cada um hora, dias mulheres sofrem ameaças.

Essa realidade choca ainda mais quando os índices do interior do Estado são analisados. Por exemplo, num panorama geral, Campo Grande tem menos casos de violência doméstica que as demais cidades de MS.

Por exemplo, crime tipificado como violência doméstica, registrado de janeiro a dezembro de 2019, na capital, foi 6.335 casos, enquanto neste mesmo período, porém no interior, foram 12.354 casos.

Feminicídio consumado, isto é, quando o agressor consegue executar a vítima, Campo Grande registrou cinco ao longo de 2019, já os municípios de Mato Grosso do Sul totalizaram 25. Número igual a 2018. Tentativas de feminicídio foram 77 no interior, e 21 na capital.

Lesão corporal dolosa totalizou 5.597 ocorrências nos 78 municípios do Estado, enquanto Campo Grande teve 2.173. As ameaças também cresceram consideravelmente. Foram 11.066 no interior, e 5.780 na capital. Estupros foram 1.087, contra 475 em Campo Grande.

Outro dado preocupante que o Mapa do Feminicídio mostra é que 77% dos casos aconteceram no lugar onde, na teoria, as mulheres deveriam estar seguras, ou seja, dentro de casa.

Áreas urbanas registraram 14 casos de feminicídio, área rural como fazendas e assentamentos tiveram seis registros e aldeias indígenas três.

Luiz Guilherme – Maracaju Hoje