Temer chama equipe para tentar mudança ‘possível’ na reforma da Previdência

Presidente Michel Temer _ Arquivo

Alteração na idade mínima para aposentadoria é aposta para salvar projeto

 

EDUARDO BARRETTO

O Globo – 08/11/2017 – 11h01

BRASÍLIA – Depois de sinalizar a parlamentares e ministros que a reforma previdenciária pode ser recusada pelo Congresso, o presidente Michel Temer faz reunião sobre a reforma pelo terceiro dia seguido. Nesta quarta-feira, o peemedebista recebe o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o relator da Previdência na Câmara, Arthur Maia (PPS-BA), e o secretário de Previdência da Fazenda, Marcelo Caetano. A linha adotada é de que o governo deve fazer a mudança “possível” na Previdência, com foco na idade mínima para se aposentar. Também participam da audiência o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o deputado Carlos Marun (PMDB-MS).

Na segunda-feira, Temer chamou deputados ao Palácio do Planalto e reconheceu pela primeira vez que a reforma da Previdência, carro-chefe das medidas econômicas do governo no Congresso, pode ser rejeitada. O presidente minimizou uma possível derrota e tentou tirar a responsabilidade de sua gestão, caso isso aconteça.

A Previdência registra rombo crescente: gastos saltaram de 0,3% do PIB, em 1997, para projetados 2,7%, em 2017. Em 2016, o déficit do INSS chega aos R$ 149,2 bilhões (2,3% do PIB) e em 2017, está estimado em R$ 181,2 bilhões. Os brasileiros estão vivendo mais, a população tende a ter mais idosos, e os jovens, que sustentam o regime, diminuirão.

No dia seguinte, ouviu de senadores aliados propostas de pautas “populares” com vistas a melhorar o clima para a aprovação de uma reforma previdenciária mais enxuta, ou “possível”. Os senadores disseram ao presidente que as pautas de segurança pública que estão na Câmara merecem atenção no Senado, na medida em que o tema seria a “prioridade nacional”.

Nesse encontro, o consenso foi que dificilmente a Câmara conseguirá, ainda neste ano, aprovar a emenda constitucional em plenário em dois turno. Portanto, a discussão só chegaria ao Senado em fevereiro ou março, em um cenário otimista. Mais cedo, nesta terça-feira, o peemedebista convocou ministros da área social, também à procura de pautas positivas com impacto popular.