SAFRA 2016/2017 – Coamo utiliza sistema silo-bag para armazenar soja e gerente da unidade Maracaju prevê dificuldades na colheita do milho safrinha

Vanilton de Nez Pereira, gerente da unidade da Coamo, em Maracaju _ Foto: Maracaju Hoje

Jota Menon

Plínio Gustavo Rodrigues

 

Com a safra de soja 2016/2017 praticamente concluída, entrepostos de recebimento da oleaginosa, como a unidade da Coamo local, já estão utilizando o conhecido silo-bag ou expedindo {embarcando} a soja. A informação é do gerente do entreposto da Coamo, Vanilton De Nez que é enfático em dizer que “hoje, armazém para a soja não tem mais, nem aqui, nem na unidade de Vista Alegre”.

Com a colheita se aproximando da faixa dos 95%, Vanilton diz que na unidade de Vista Alegre, “já há vários dias, se não tivéssemos apelado para o sistema silo-bag, teríamos de ter parado o recebimento há uns 15 ou 20 dias”.

O gerente do entreposto da Coamo diz que, diante da supersafra e das dificuldades naturais para o armazenamento, a Cooperativa se antecipou e fez 120 silos-bolsas de 60 metros e mais 48 silos de 75 metros em Vista Alegre. “Aqui em Maracaju estamos fazendo, também, uns 45 a 50 silos de 75 metros para poder estocar a soja colhida”.

Ele reconhece que a armazenagem de soja chegou a um limite que não há onde mais guardar a mais importante commodity agrícola do país.

O armazém da Coamo já atingiu a capacidade de recebimento de soja _ Foto: Maracaju Hoje

PRODUTIVIDADE – Em relação á produtividade da safra atual, Vanilton disse que, no início da colheita, esteve um pouco abaixo da expectativa, principalmente na colheita das áreas plantadas até a primeira quinzena do mês de outubro. “Após a colheita das primeiras áreas plantadas, começou a entrar na colheita dos ciclos mais precoces tivemos o registro de uma produtividade melhor” afirmou.

Vanilton avalia que no final da safra vai se ter uma produtividade um pouco acima da média, porém, não exagerada. “Foi uma safra boa. Um pouco acima da melhor safra que nós tivemos, que foi a de 2015, mas, também, não foi aquele estouro que se esperava” diz.

O gerente da Coamo cita casos específicos de alguns produtores que tiveram registro de áreas com produtividades acima do normal, algo em torno de 80 a 85 sacas por hectare, mas, no “frigir dos ovos”, a média final deve ficar acima da estadual, algo em torno de 60 sacas de 60 quilos por hectare, que é uma produtividade considerada excelente.

QUESTÃO DOS PREÇOS – Questionado se a queda continuada dos preços da soja e do milho nos mercados interno e externo não levará os produtores a segurarem o produto nos armazéns, Vanilton enfatiza que este é um fato realmente preocupante. “Isto já está ocorrendo há vários dias. Os produtores estão procurando o EGF {Empréstimo do Governo Federal} para não se desfazer do grão agora”.

Vanilton comenta que essas operações no mercado são bastante costumeiras em épocas de incertezas como as atuais e diz que a própria Cooperativa, através da Credicoamo, disponibiliza a liberação do crédito. “Nessas operações, o produtor recebe um ‘adiantamento’ de R$ 45 a R4 50 por saca, mas não vende o produto. Ele espera o mercado reagir e aí vende…”

Ainda com relação à retenção da produção agrícola atual, ele diz que ela está havendo desde que se iniciou o processo de inversão do mercado com a queda do preço. “Vem acontecendo e acredito que vai por vários meses, ainda, porque o produtor espera que os preços reajam” diz, lembrando, ao mesmo tempo, que a complexidade dos preços da soja e do milho, porém, é uma problemática que não depende apenas do fator produção. “Temos o fator oferta, que está alto, mas tem o fator Dólar, também. Está pesando muito e contribuindo de forma representativa para que os preços fiquem abaixo do que o esperado e forçam a retenção da produção”.

ARMAZENAGEM DO MILHO SAFRINHA – Quando se fala em problema no armazenamento da safra de soja que está em fase final de colheita, surge o questionamento sobre como armazenar a safra de milho que se avizinha. E Vanilton é objetivo na resposta: “Esse é o grande problema. A Coamo, e acredito a grande maioria das empresas armazenadoras, estão diante de um grande desafio e torcendo para que surja uma alternativa”.

Segundo ele, “se a safra de milho começasse a ser colhida hoje, não teríamos onde armazenar. Não tem como armazenar”, frisa.

Vanilton diz que a Coamo vê a realidade atual com grande preocupação e admite que a Cooperativa faz silo-bags já se preparando para ter condições iniciais básicas para o recebimento de milho. “Já estamos pensando na safra de milho, porque a de soja está praticamente concluída. Inclusive, aqui na Coamo, a gente já atendeu os nossos cooperados e já recebemos o que tínhamos de receber em termos de soja. A nossa preocupação agora é o que vai ser feito com o milho       que vem desenhando uma safra cheia. O clima está ótimo. As lavouras, excelentes, demonstrando que podemos ter uma supersafra de milho” relata.

A saída encontrada pela Coamo/Maracaju foi a utilização de silo-bag _ Foto: Internet/Divulgação

Por fim, ele cita que o milho está enfrentando o mesmo problema da soja: baixa continuada de preços. “Hoje o milho ainda está na casa dos 19 reais a saca, mas talvez não se sustente esses preços” diz sugerindo que talvez tenha que se recorrer ao governo – “fazer alguns leilões” – para regularizar o setor.

“O que poderia nos salvar seria a exportação. Mas, com os principais compradores acompanhando essa crise que se verificou nas últimas semanas, com inibição no consumo de carne e um a maior retenção na demanda, nós antevemos um problema gravíssimo que vai ser armazenar milho…”