Qual o legado aos nossos netos e bisnetos?

Acompanhar o noticiário das grandes redes de comunicação de massa nos últimos dias tem sido um verdadeiro martírio para os homens de bem estejam eles onde estiverem nesse Brasil de dimensões continentais.

Todos os dias surgem fatos novos, e podres, envolvendo a classe dirigente política brasileira em negociatas espúrias e que têm no dinheiro público o lastro para a compra de consciências, e de benesses, por e para empresas e empresários.

Não dá para confiar em ninguém, porque ninguém tem conseguido passar ileso à “próxima lista”.

Foi assim com os três últimos governadores de Mato Grosso do Sul, nela, incluso o atual governador Reinaldo Azambuja (PSDB).

Zeca do PT, André Puccinelli (PMDB) e Reinaldo Azambuja (PSDB) estão, agora, oficialmente implicados nas investigações da Lava Jato. Em depoimento oficial, Wesley Batista revelou suposto esquema de corrupção envolvendo pagamento de propinas em troca de isenção fiscal para a empresa.

Um dos capítulos da delação de Wesley se refere unicamente a Mato Grosso do Sul.

Um privilégio que não gostaríamos de ter.

No depoimento, prestado em 4 de maio de 2017 aos membros da Procuradoria-Geral da República, Fernando Antonio Oliveira e Sergio Bruno Fernandes, Wesley revelou que funcionaria em MS um esquema de pagamento de propina em troca de redução da alíquota de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

O sistema de distribuição de propinas funcionaria desde o governo de Zeca do PT (1999/2006), passando pela gestão de André Puccinelli, do PMDB, (2007/2014) e continua em voga na administração de Reinaldo Azambuja (PSDB).

Cada um dos implicados, ao seu modo, se justificou prometendo ao final da justificativa provar a inocência no decorrer das investigações.

A verdade é que os delatores da Lava-Jato falam em cifras gerais na casa das centenas de milhões em propinas e listam quase dois mil políticos brasileiros beneficiados com dinheiro sujo; com recursos para campanhas eleitorais liberados no sistema caixa 2, sempre com o compromisso de uma contrapartida que normalmente se resume à votação de leis que beneficiam os empresários; adoção de políticas que beneficiam os empresários; liberação de informações privilegiadas que beneficiam os empresários…

A delação dos irmãos Batista, donos do grupo empresarial que controla o Frigorífico JBS, colocou agora no centro das atenções o presidente da República, Michel Temer (PMDB), que se encontra encurralado e pressionado até mesmo por aliados para deixar o poder já que sua permanência no cargo é tida como insustentável.

Não há mais como acreditar que haja ao menos uma fruta boa no cesto de laranja podre que se tornaram o Legislativo e o Executivo.

Até o Judiciário e o Ministério Público já começam dar sinais de contaminação.

A delação dos irmãos Batista suscita várias interpretações, desde um esquema montado sob supervisão dos ex-presidentes Lula e Dilma, para se vingar de seus adversários a uma simples decisão dos donos da holding J&F, supostamente cansados de serem extorquidos, inclusive durante todo o período em que estão em curso as investigações da Lava-Jato que já colocaram alguns milionários na cadeia.

Das investigações; de seus resultados e das últimas delações dos irmãos Batista fica um questionamento em cada cabeça que usa a inteligência para o bem: qual o legado que nós deixaremos a nossos netos e bisnetos, já que nossos filhos já estão contaminados podridão que infesta o mundo político brasileiro?

Jota Menon

Jornalista pela UFMS e editor do Maracaju Hoje

DECLARAÇÃO OFICIAL DO GOVERNADOR REINALDO AZAMBUJA: 

Compromisso com a verdade

Tendo em vista a delação do empresário Wesley Batista em que meu nome é citado, e em respeito ao povo de Mato Grosso do Sul, faço os seguintes esclarecimentos:

O empresário Wesley Batista apresentou em sua delação premiada suposições de fraude envolvendo cinco termos de acordo de incentivos fiscais com o Estado de Mato Grosso do Sul, dos quais apenas um foi assinado em minha gestão;

Esclareço que referido termo assinado em minha gestão teve como objeto investimentos para ampliação e geração de novos empregos em diversas unidades frigoríficas em Mato Grosso do Sul, conforme legalmente estabelecido pela política de incentivos estadual;

Em relação a declaração de que recebi aproximadamente R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) dos empresários, informo que o valor exato é de R$ 10.500.000,00, (dez milhões e quinhentos mil reais) repassados pelo PSDB nacional e que constam regularmente declarados na prestação de contas eleitoral de minha candidatura em 2014;

Ressalto que a transparência na gestão pública é meu compromisso com o povo sul-mato-grossense, comprovado pela última avaliação da CGU que colocou Mato Grosso do Sul com nota 10 em transparência, sendo o Estado que mais evoluiu nesse quesito em todo o país;

Apoio integralmente as investigações, e me coloco à disposição para apresentação de todo e qualquer documento ou esclarecimento que contribua com a elucidação total dos fatos;

Por fim reforço que qualquer outra alegação de fatos ilícitos envolvendo meu nome e a empresa JBS não condiz com a verdade, e será devidamente comprovado.