Por prudência, Moro não decreta prisão de Lula, e petista vai recorrer em liberdade

Gestos de Lula em depoimento a Moro - Reprodução _ O Globo

Juiz afirmou que decisão sobre ex-presidente poderia ser traumática

 

Por O Globo

SÃO PAULO — O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorrerá em liberdade da sentença de 9 anos e meio de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. Lula está neste momento na sede do Instituto Lula, onde recebeu a notícia. O Instituto Lula e a defesa do ex-presidente ainda não se manifestaram sobre o caso.

Moro chegou a afirmar que caberia cogitar a decretação da prisão preventiva do ex-presidente em razão de suas declarações recentes sobre o processo, além dos depoimentos de Léo Pinheiro e Renato Duque de que Lula teria ordenado a destruição de provas.

“Aliando esse comportamento com os episódios de orientação a terceiros para destruição de provas, até caberia cogitar a decretação da prisão preventiva do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entretanto, considerando que a prisão cautelar de um ex-Presidente da República não deixa de envolver certos traumas, a prudência recomenda que se aguarde o julgamento pela Corte de Apelação antes de se extrair as consequências próprias da condenação. Assim, poderá o ex-Presidente Luiz apresentar a sua apelação em liberdade”, decidiu Moro.

Além da condenação a nove anos e meio de prisão, o ex-presidente terá que pagar uma multa de R$ 669,7 mil reais pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O ex-presidente também não poderá ocupar cargo ou função pública por 19 anos caso a sentença seja confirmada nas instâncias superiores.