Milho deve ocupar 70% da área de soja na safra 19/20

O Mundo tem observado a economia global com olhos apreensivos diante das inúmeras certezas e questionamentos sobre os efeitos que ainda virão por causa da pandemia provocada pela Covid-19, e no campo não é diferente. Os produtores rurais sabem que a produção não pode parar, mas tem ciência que haverá queda tanto na hora de plantar, colher, e principalmente na venda. Apesar disso, o Maracaju Hoje obteve dados da Aprosoja-MS (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul), que mostram que a expectativa de área plantada na segunda safra deste ano ultrapassa os 50%.

De acordo com a entidade, a área plantada de milho deve girar em torno de 70% da área plantada de soja. Aqui em Maracaju, por exemplo, a primeira etapa da safra 2019/2020 foi de 315.923,86 ha (hectares), tendo em vista que quando o Novo Coronavírus chegou não apenas no Brasil, mas no Estado, já haviam sido colhidos 100% da área, o que gerou produtividade de 64,4 sc/ha (sacas por hectare), totalizando 1.221.643,77 toneladas.

Dólar

A Aprosoja informou ao Maracaju Hoje que apesar da alta do dólar chegando a quase R$ 6, os insumos já estavam comprados e não interferiu na decisão de plantio, por isso, os agricultores analisaram o clima e a janela de plantio para ter uma possível segunda safra sem muitos prejuízos. No entanto, a associação afirma que a conjuntura atual já mostra que a queda na economia será maior que a última crise mundial em 2008, mas que diversos países estão recompondo suas importações, isto é, revendo suas políticas para elevar os estoques de alimentos.

O Brasil pode sair à frente neste cenário, já que o país tido como um fornecedor de alimentos mais confiável do Mundo. “Assim, o setor de grãos tem a possibilidade de não sofrer tanto com os impactos negativos, porém é importante o produtor estar atento às políticas de isolamento social, e também ao possível desabastecimento de outras cadeias produtivas”, menciona trecho do relatório enviado à reportagem.

Safra 2020/2021

Ainda é cedo para pensar com tanta veemência na safra do ano que vem, porém essa é um ponto que já precisa começar a ser analisada. Questionada novamente quanto aos impactos negativos não apenas da Covid-19, mas da alta do dólar, a Aprosoja acredita que apesar da elevação no preço dos insumos, haverá maior remuneração do produtor de soja, por exemplo, já que o grão é um commoditie e é comercializada também na moeda americana.

“É necessário que o produtor se mantenha atento às oscilações de mercado, busque enxugar aos máximos os custos de produção, o que vai lhe garantir melhor rentabilidade. Outro ponto que merece destaque e atenção, é já ir planejando a compra de insumos, assim a equação terá um equilíbrio”, finaliza a associação.

Luiz Guilherme – Maracaju Hoje