MARÇO: MÊS DAS MULHERES – “Queremos nos igualar como seres humanos”, diz Maria Zimpel

Empresária Maria Zimpel: "Queremos nos igualar como seres humanos" - Foto: Jota Menon

Jota Menon

 

“Ao longo do tempo, muitas conquistas se registraram. Porém, há muito ainda por se conquistar. Não precisamos simplesmente conquistar direitos iguais. Precisamos de muitas outras conquistas. Por exemplo: ainda hoje a mulher é vista como diferente, como um ser que precisa ser protegido. E não é assim. Não queremos nos igualar apenas nos direitos econômicos, mas, sim, nos igualarmos como seres humanos”. Esse é o pensamento da empresária Maria Aparecida Arguelho Zimpel, sócia-proprietária da Loja Itaipu.

Segundo ela, por mais que a mulher avance no campo das conquistas, ela não é bem vista ou aceita por significativa parcela da sociedade que ainda é muito machista.

Maria da Itaipu, como é mais conhecida nos meios empresariais, devido seu vínculo com a Loja Itaipu, cita como exemplo as acusações contra a ex-presidente Dilma. “Os mesmos erros por ela cometidos foram cometidos por outros presidentes da República, mas há uma ênfase maior quando se trata das falhas da ‘presidenta Dilma’”.  Para ela, “ainda há um preconceito muito grande do homem em relação à mulher”.

Sobre o tema mais recorrente no período em que se aborda questões relacionadas aos direitos da mulher, a violência doméstica, Maria Zimpel diz que as mulheres ainda têm muito receio de denunciar as barbáries que acontecem entre quatro paredes. “Não podemos nos ater apenas à violência aparente, aquela que deixa marcas físicas. Há a violência psicológica. Ser menosprezada em casa ou pela sociedade; ser xingada, impedida de trabalhar, tudo isso é violência que, na quase totalidade dos casos, não entra nas estatísticas”.

Depois de enfatizar que a lista das conquistas que ainda não foram atingidas só será zerada com muita luta e persistência, Maria da Itaipu diz que a mulher, embora mais fraca fisicamente que o homem, é muito mais forte do que parece, porque consegue conciliar, com enorme serenidade, a condição de mulher, mãe, esposa, dona de casa, empresária, patroa, conselheira, enfim, um amontoado de afazeres que, no seu ponto de vista, poucos homens conseguiriam assimilar sem ter alguns dissabores.