MARÇO: MÊS DA MULHER – “Vamos avançar. Chegaremos quase lá. Mas, a igualdade ainda vai demorar um pouco”, diz Verônica Akemi

Jota Menon

“Entendo que as conquistas almejadas pelas mulheres têm ocorrido, embora um tanto devagar. Hoje mesmo {15 de março} tivemos uma manifestação popular contra a reforma na Previdência Social e vimos que a maioria dos participantes era formada por mulheres. Havia poucos homens indo às ruas, protestando”. A afirmação da empresária Verônica Akemi de Mello, proprietária da loja Pingo de Ouro, ilustra bem a inserção cada vez mais forte da mulher nos acontecimentos que movem o país.

Para ela, as conquistas virão gradativamente, porém, a almejada igualdade não chegará no curto prazo. “Vamos avançar. Chegaremos quase lá. Mas, a igualdade ainda vai demorar um pouco” avalia.

Uma das metas buscadas pelas mulheres ao longo dos anos que será atingida em breve, no ponto de vista de Verônica Akemi, é a isonomia no âmbito salarial, ou seja, o oferecimento de salários iguais para funções iguais, independente do gênero. “A mulher está batalhando muito por esta conquista. A mulher não admite mais essa desigualdade, injusta, reconheça-se. Essa é uma meta que atingiremos muito brevemente, com certeza”.

Para Akemi um dos pontos lamentáveis nas relações homem/mulher é a violência doméstica, uma vez que, apesar da legislação brasileira, via Lei Maria da Penha, prever punições severas aos agressores, as mulheres continuam sendo vítimas de violências em todos os níveis sociais. “As mulheres precisam criar mais coragem; serem mais independentes para derribar mais essa barreira. Acredito que a mulher independente financeiramente jamais vai se submeter à violência”.

Akemi reconhece que um dos fatores que levam à estarrecedora estatística da violência doméstica é a superioridade física do homem em relação á mulher. “Infelizmente o homem ainda tem mais força, mas, devagarzinho, essa situação lamentável a gente vai mudando”. Para Verônica, ainda o homem se prevalece em relação à sua companheira, mesmo sabendo da severidade da Lei Maria da Penha, devido o lato emotivo da mulher.

“Muitas vezes para preservar a família, para preservar os filhos, a mulher não quer se separar; não quer expor o marido que a agride. Ela omite, ela suporta, por amor à família também. Mas, posso sintetizar meu pensamento frisando que nós mulheres já avançamos muito e vamos continuar lutando para que as diferenças sejam suprimidas e essa igualdade de direitos, tão almejada, nos chegue no curto ou médio espaço de tempo” finaliza a empresária.