MARÇO: MÊS DA MULHER – Luana Calderan diz que figura da mulher atual como “sexo frágil” é “visão distorcida”

Nutricionista Luana Calderan diz que é distorcida visão da mulher como "sexo frágil" - Foto: Jota Menon

Jota Menon

 

Luana Lourenço Calderan Pimenta tem 25 anos de idade e é nutricionista por formação acadêmica, profissão que exerceu nos dois primeiros anos após a graduação. Hoje, atua ao lado do pai, Marcos, e do irmão, Lucas, na loja Calderan Móveis, onde é uma espécie de coringa, ocupando as mais diferentes funções.

Casada, a jovem Luana também tem conceitos formados sobre a luta quase que diárias das mulheres na busca por igualdade de tratamento em relação aos homens, especialmente no que se refere à área trabalhista.

“Na atualidade vivemos uma realidade completamente diferente em relação a um passado não muito distante quando os homens sequer permitiam que “suas mulheres” trabalhassem” diz Luana. Hoje, segundo ela, a realidade é outra, uma vez que as mulheres cada vez mais ocupam espaços em todas as atividades possíveis e imagináveis.

Para Luana, a figura da mulher “sexo frágil” é completamente distorcida. “Temos hoje uma mulher independente, que administra empresas, que se insere no mundo político, que ganha o seu dinheiro” enfatiza.

Porém, ela reconhece que há ainda algumas distorções que precisam ser resolvidas, como a questão da diferença salarial entre os gêneros. “Vemos muitos casos de mulheres que exercem a mesma função que um homem e ganha um salário simplesmente por ser mulher. E olha lá que as mulheres são mais dedicadas e competentes no que fazem” diz.

Ponto positivo na visão de Luana é a mudança que tem ocorrido com muitos homens no seu modo de ver a mulher. “Vejo que muitos homens estão mudando o conceito, a forma de ver a mulher e já não mais a olham como aquele ser dependente, a eterna dona de casa, a rainha do lar” afirma Luana para, em seguida, admitir que, infelizmente, o ponto negativo continua sendo a violência doméstica que atinge todos os níveis sociais no Brasil.

“Sabemos da existência da violência contra a mulher em famílias das classes mais humildes às mais abastadas, inclusive em famílias de elevado nível cultural” relata Luana. Segundo seu modo der pensar, a violência física, psicológica e moral contra a mulher continua existindo, a despeito da Lei Maria da Penha, porque muitas mulheres, vítimas de seus maridos e companheiros, deixam de registrar essa violência por questões afetivas e, na maioria das vezes, para evitar a exposição da família, dos filhos, quando não de si própria.

Finalizando, Luana reconhece que nos últimos anos foram registrados inúmeros avanços no âmbito das lutas das mulheres por tratamento mais igualitário em relação aos homens. Porém, ela diz que a luta não pode parar e as conquistas que ainda não chegaram, como o fim da violência doméstica e da desigualdade salarial, só virão com a cobrança contínua por parte de todas as mulheres brasileiras.