Laboratório da Calógeras será fechado em 5 meses e 220 mil exames são cortados

Sem estrutura mínima de funcionamento, o prédio onde funciona o Labcen (Laboratório Municipal), na Avenida Calógeras, será desativado dentro de cinco meses. Os exames da rede pública de saúde de Campo Grande devem passar a ser realizados na Policlínica Odontológica da Vila Cruzeiro, localizada na região norte. Os problemas oficialmente flagrados são muitos: falta de materiais, deficiência estrutural e descaso – que resultou em pelo menos seis mil tubos de sangue jogados no lixo e 220 exames a menos por mês.

Segundo a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), responsável pelo laboratório, a transferência é em razão da condição insalubre no qual a instalação funciona – situação constatada pelo MPE-MS (Ministério Público do Estado) em Ação Civil contra a Prefeitura de Campo Grande. O município informou que o projeto ainda está em estudo, e alegou que o prazo de conclusão da transferência concedido pela Justiça é de até 150 dias, ou, cinco meses.

Enquanto a situação não é resolvida, 220 mil exames deixam de ser feitos pela saúde gerenciada pela Capital. Quando operava normalmente, eram elaborados 270 mil procedimentos por mês – sangue, urina, glicose, entre outros -, a quantidade mensal caiu para 50 mil, e compreende apenas casos de urgência e emergência.

As análises de emergência deixaram de ser feitos em 31 de outubro.  A vigência do último contrato de fornecimento de reagentes expirou em janeiro de 2016, e desde então a prefeitura a Capital não compra novos materiais. Atualmente, o laboratório opera parcialmente nas áreas de hematologia (exames de sangue), parasitologia (exames de fezes) e urocultura (exames de urina). Os procedimentos nas áreas de bioquímica e imunologia funcionam somente com o apoio de um farmacêutico e do Instituto de Pesquisas,Ensino e Diagnósticos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Iped/Apae).

A previsão da Sesau é de que o laboratório volte a funcionar normalmente a partir de julho. Até lá, o fornecimento de materiais e insumos para os procedimentos é feito parcialmente, apenas para garantir a continuidade da realização dos procedimentos indispensáveis. Isso quer dizer que, para o paciente conseguir seu diagnóstico clínico quando retorna a uma consulta, pro exemplo, seu quadro de saúde pode estar agravado, tendo em vista a demora.

A grave deficiência estrutural do laboratório da prefeitura – com a presença de diversas inconsistências sanitárias -, foi revelada em denúncia do Ministério Público Estadual, no ano passado. A vistoria mostrou o quadro deficiente de sobrevivência do laboratório, que deixou de cumprir seu papel fundamental: realizar diagnósticos. Os reagentes esgotaram, e desde maio uma série de exames foram abandonados.

Fonte: Midiamax/Anny Malagolini