Justiça aceita mais três denúncias, e Cabral se torna réu pela vigésima vez na Lava-Jato

Ex-governador Sérgio Cabral se tornou réu pela vigésima vez na Lava-Jato - Domingos Peixoto / Agência O Globo

Ex-governador do Rio é acusado de corupção passiva pelo Ministério Público Federal

 

MARCO GRILLO / JULIANA CASTRO

O Globo – 10/01/2018 – 17h52 (DF)

RIO — O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) virou réu em mais três processos derivados da Operação Calicute, versão da Lava-Jato no estado, nesta quarta-feira. As denúncias haviam sido oferecidas pelo Ministério Público Federal (MPF) em dezembro e foram aceitas pela juíza Caroline Vieira Figueiredo, substituta da 7ª Vara Federal Criminal.

Também se tornaram réus os ex-secretários Hudson Braga (Obras), Régis Fichtner (Casa Civil), Wilson Carlos (Governo), os operadores Luiz Carlos Bezerra e Wagner Jordão, o empresário Georges Sadala e os dirigentes da empreiteira Oriente Alex Sardinha e Geraldo André de Miranda Santos.

No caso que envolve a Oriente, Cabral e Braga são acusados pelo MPF de terem solicitado propina entre 2010 e 2014 em troca de vantagens em obras. Com a quebra do sigilo dos e-emails de Jordão, apontado como operador do então secretário de Obras, os procuradores encontraram uma mensagem enviada por Sardinha com referência a pagamentos de “O2” (a propina era chamada de “taxa de oxigênio”) e com o assunto “cálculos”, fazendo relação com consórcios integrados pela Oriente.

Além disso, o MPF encontrou com Sardinha planilhas com valores das obras. A Construtora Oriente foi responsável por obras emergenciais em Araruama, Saquarema e Maricá e aplicação de asfalto da Baixada Litorânea. Segundo o MPF, obras nas quais teriam sido pagas propinas.

As outras duas ações são referentes à Operação C’est Fini, que envolveu o ex-secretário Régis Fichtner e o empresário Georges Sadala. De acordo com as investigações, Sadala realizou ao menos sete vezes pagamentos de propina em espécie ao esquema comandado pelo ex-governador do Rio Sérgio Cabral. Os repasses realizados entre 2009 a 2015 somaram R$ 1,33 milhão, sustenta a denúncia. Já Fichtner é acusado pelo MPF de aceitar propina para “especial atenção para os interesses privados de empresários do setor da saúde, prestação de serviços de alimentação e limpeza, transporte público e construção civil”.