Endividada, Santa Casa aposta em atendimento privado

A Santa Casa de Campo Grande investe no segmento privado e planeja reduzir ao mínimo exigido os atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). As medidas são estratégia para amenizar dívida, que disparou 42,9% desde maio de 2013 – quando findou a intervenção no hospital – e alcançou R$ 160 milhões. Há 45 meses, o débito era de R$ 111,934 milhões.

Depois de a administração da unidade ter sido retomada pela Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), os valores devidos – impostos, fornecedores de materiais e insumos médicos e outros serviços – só aumentaram.

Durante oito anos, entre janeiro de 2005 e maio de 2013, o hospital sofreu intervenção judicial e foi administrado por uma junta formada pelos governos municipal e estadual, com o apoio do Ministério Público do Estado (MPE/MS). Em dezembro de 2004, a falta de recursos levou a administração a suspender os atendimentos. Na época a Justiça interveio e entendeu que a associação fundadora e mantenedora deveria ser afastada da direção por conta da superlotação, das dívidas e das condições de atendimento aos pacientes.

A atual administração contesta dados divulgados quando a ABCG retomou o hospital. “Quando a intervenção iniciou a dívida era de R$ 37 milhões. Quando acabou e nos devolveram a dívida era de R$ 160 milhões, sendo R$ 40 milhões em tributos, R$ 30 milhões de fornecedores de curto prazo, R$ 15 milhões de água e energia, R$ 75 milhões em ações judiciais cíveis de fornecedores que não quiseram negociar conosco e também de ações trabalhistas”, afirma o presidente do hospital, Esacheu Cipriano Nascimento.

Mas os problemas antes da intervenção persistiram e são praticamente os mesmos que o hospital tenta solucionar agora. Medidas diversas, como a suspensão temporária de cirurgias eletivas são tomadas mensalmente com a intenção de controlar gastos e reduzir custos. A última ação restringiu – a partir do dia 10 de fevereiro – o atendimento a pacientes nomeados como “demanda espontânea”, que são aqueles que procuram o hospital diretamente, sem passar pela regulação da município – que deveria fazer o encaminhamento para a rede hospitalar.

Fonte: Correio do Estado/Natalia Yahn