Em Maracaju, índios vivem harmonicamente com habitantes da cidade

A dança é uma das manifestações mais fortes da cultura dos Guarani/Kaiowa

Localizada a menos de 10 quilômetros da sede administrativa do município de Maracaju, a Aldeia Sucuri’y é um dos poucos territórios indígenas semiurbanos do Brasil cujos habitantes convivem de forma harmoniosa com os “brancos”. Esse clima de entendimento foi conseguido há mais de 20 anos quando se definiu que uma área de pouco mais de 500 hectares seria utilizada pelas dezenas de famílias guarani-kayowa que viviam em conflito com os grandes proprietários rurais que possuíam títulos daquelas terras.

Escola Municipal ensina alunos do ensino fundamental na lingua nativa dos guarini kaiowa

Desde então os indígenas passaram a receber alguns benefícios dos governos da União, do Estado e do Município, como a construção de casas populares e a instalação de uma escola, onde se ensina as primeiras séries em língua nativa. Com isso, passaram a ter melhores condições de vida e puderam manter vivos os principais valores das culturas ancestrais que vinham se perdendo. A comunicação, por meio da língua nativa, é considerada um fato de importância vital para a perpetuação das principais manifestações culturais tanto dos povos guarani quanto dos kaiowa.

Com apoio do Governo do Estado e Município aulas de violão chega a Aldeia Sucuri _ Foto: Assessoria do vereador Nego do Povo

Embora essa convivência harmoniosa, há denúncias de algumas “invasões” que têm ocorrido no território indígena, principalmente por parte de traficantes de drogas que têm desafiado as lideranças da comunidade e levado produtos como maconha e cocaína a pequenos indígenas. Há relatos de crianças sendo viciadas pelos traficantes sem que haja um combate eficaz por parte das autoridades que também têm dificuldades em agir na área, uma vez que a aldeia está sob jurisdição federal.

O consumo de bebida alcoólica, tanto dentro da aldeia, como no perímetro urbano, também é um problema difícil de se combater.

No comércio maracajuense, a bebida alcoólica é vendida livremente para os índios, embora a comercialização do produto seja proibida pela legislação federal.

Os comerciantes alegam que o município de Maracaju é habitado por milhares de paraguaios e descendentes de paraguaios, a maioria de origem indígena. “Fica muito difícil saber quem é índio da aldeia local e quem é integrante das famílias de origem paraguaia que moram na cidade” alegam os comerciantes quando questionados sobre a venda de cachaça para índios maracajuenses.

AULAS DE MÚSICA – Nesse processo de integração entre os indígenas e os “brancos”, um projeto importante vem sendo desenvolvido na aldeia com apoio dos governos do Estado e do Município: lá, os alunos da Escola Municipal estão recebendo aulas gratuitas de violão levadas através do projeto “Viva Vida Maracaju”.

Crianças são preparadas para apresentação cultural na Aldeia

As aulas iniciaram no último dia 20 de março sendo o projeto idealizado pelo vereador Nego do Povo (PSDB) que leva todas as segundas e quartas-feiras o professor de violão e sua equipe do projeto Viva Vida para que os alunos na Aldeia  Aldeia Sucuri’y tenham a oportunidade de aprenderem a tocar violão.

Empolgado com a aceitação dessa primeira iniciativa, o vereador quer levar à aldeia outras atividades que o projeto oferece às crianças atendidas na sua sede do município. Num primeiro momento, a meta é levar o curso de informática, além das aulas de violão.

“Essas são as primeiras ações do nosso projeto ofertadas à população da aldeia. Para tanto, fomos buscar parcerias com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e com o prefeito Maurílio Azambuja (PMDB). Conseguimos a ajuda e estamos tirando do papel e colocando o projeto em prática” disse o vereador.

Ele lembra que é importante oportunizar àquela comunidade a cultura brasileira e também acompanhamento à tecnologia principalmente pelas crianças que já estão em sala de aula.

HISTÓRIA DO DIA DO ÍNDIO – Comemora-se todos os anos, no dia 19 de Abril, o Dia do Índio. Esta data comemorativa foi criada em 1943, pelo presidente Getúlio Vargas, através do decreto lei número 5.540.

Mas, por que foi escolhido o 19 de abril?

Para entender melhor a data, deve-se voltar para o ano de 1940. Naquele ano foi realizado no México o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. Além de contar com a participação de diversas autoridades governamentais dos países da América, vários líderes indígenas deste continente foram convidados para participarem das reuniões e decisões. Porém, os índios não compareceram nos primeiros dias do evento, pois estavam preocupados e temerosos. Este comportamento era compreensível, pois os índios há séculos estavam sendo perseguidos, agredidos e dizimados pelos “homens brancos”.

No entanto, após algumas reuniões e reflexões, diversos líderes indígenas resolveram participar, após entenderem a importância daquele momento histórico. Esta participação ocorreu no dia 19 de abril, que depois foi escolhido, no continente americano, como o Dia do Índio.

IMPORTÂNCIA DA DATA – Anualmente, no dia 19 de abril, ocorrem vários eventos dedicados à valorização da cultura indígena. Nas escolas, os alunos costumam fazer pesquisas sobre a cultura indígena, os museus fazem exposições e os municípios organizam festas comemorativas.

Deve ser também um dia de reflexão sobre a importância da preservação dos povos indígenas, da manutenção de suas terras e respeito às suas manifestações culturais.

Deve-se lembrar, também, que os índios já habitavam nosso país quando os portugueses aqui chegaram em 1500. Desde a data de 22 de abril de 1500, o que se viu foi o desrespeito e a diminuição das populações indígenas. Este processo ainda ocorre, pois com a mineração e a exploração dos recursos naturais, muitos povos indígenas estão perdendo suas terras.

Jota Menon e Plínio Gustavo Rodrigues