CULTURA – Luiz Nascimento, um nome que se confunde com a história e a cultura de Maracaju e dos maracajuenses

Luiz Nascimento concede entrevista ao Maracaju Hoje _ Foto: Paola Loureiro

 

Jota Menon

 

Luiz Souza Nascimento nasceu na cidade de Jequié, no interior da Bahia, de onde saiu em busca de novos horizontes aos 11 anos de idade. Chegou a Maracaju nos idos de 1971 e aqui fincou raízes constituindo família e criando vínculos tão fortes com a terra e seu povo que, hoje, seu nome literalmente se confunde com a história e a cultura da cidade e de sua gente.

Mais do que um respeitado compositor de conhecidas canções sertanejas, Luiz Nascimento, como é chamado nos meios artísticos, há anos trabalha projetos que resgatam fatos históricos e fortalecem os movimentos socioculturais locais.

No cinema, Luiz Nascimento atuou na produção de “Sem Defesa” ao lado de Davi Cardoso

No cinema, por exemplo, atuou, recentemente, ao lado de um dos maiores ícones que o município já concebeu: o ator e diretor Davi Cardoso que presenteou o Brasil com a produção do filme “Sem Defesa” que teve cerca de 90% de todas as suas cenas rodadas em Maracaju. Luiz Nascimento esteve ao lado de Davi Cardoso na produção deste que é o 80º filme concebido pelo consagrado artista nascido em terras maracajuenses.

No mundo da música, Luiz Nascimento tem uma contribuição muito grande na discografia de conhecidos artistas regionais como Canto da Terra; Sílvio e Sidney: Roger e Ramos e Gilson e Júnior, Amambay e Amambaí, entre outros.

Nas vozes destes baluartes da música sul-mato-grossenses podem ser ouvidas canções como “A Casa do Mané”; “O Cafajeste”; “Bebê chorão”; “De volta ao tempo”; “Mulher Modelo”; “Amor à Primeira vista”.

Atualmente, Gilson e Júnior, uma das mais promissoras duplas do sertanejo universitário do nosso Estado, embalam as noites campo-grandenses e de onde quer que se apresentem com a música “O que ela tem naquele trem”, composição com a qual Luiz nascimento debuta no ritmo do arrocha misturado com o batidão.

Há que se registrar, também, que, como compositor, o baiano de Jequié, sempre achou tempinho para homenagear a terra que o recebeu de braços abertos e de qual ele se sente, hoje, uma espécie de filho adotivo muito querido. É assim que em seu repertório é possível encontrar, entre outras, músicas como o hino do Maracaju Atlético Clube e o “Hino a Maracaju” (para o qual o vereador Robert Ziemann tem um projeto para torná-lo oficialmente o Hino do Município), além de quatro músicas que falam do município: “O Maracajuense”; “Maracaju”; “Cada dia mió” e “A Maracajuense”.

Atualmente Luiz Nascimento está desenvolvendo o projeto da produção de um curta-metragem (30 minutos), abordando lendas populares, humor e divulgando os artistas da terra, principalmente do cinema, da TV e da música.

Trata-se do filme “O Filho da Previsão”, roteiro de sua autoria, praticamente, pronto para ser filmado e lançado no mercado cinematográfico. Neste projeto, Luiz Nascimento pretende valorizar os artistas regionais, principalmente, os que ainda não são consagrados pela mídia nacional, usando suas músicas na trilha sonora e músicas cenográficas.

Em termos de produção cinematográfica, além da participação em “Sem Defesa”, Nascimento acumula a experiência de ter produzido um dos mais completos documentários sobre o município.

Em “Maracaju, sua história e sua gente”, Luiz apresenta um compilado sobre fatos históricos de Maracaju, relatando a vida dos mais antigos moradores do município e descreve locais que se confundem com a própria cidade; as suas festas mais conhecidas, como “A Festa da Linguiça” e a Expomara – Exposição Agropecuária do município -, bem como fatos pitorescos do município.

Luiz Nascimento trabalha na difusão dos nomes que defendem a cultura do Estado

Ele também está presente nas redes sociais, com ênfase no Facebook, onde mantém a página “Varanda do Luna”, por meio da qual conta a história dos artistas antigos que fizeram sucesso e hoje estão fora da mídia. São os casos de ícones sul-mato-grossenses como os acordeonistas Maciel Corrêa e Nilsinho Chamamezeiro (acompanhante de Délio e Delinha); Reymiro e Beto Reis; Ivo de Souza; Romance e Romeirinho; Amambai e Amambay e vários outros.

Ainda na mesma mídia social, Luiz Nascimento mantém a página “Estrelas do MS”, onde dá destaque aos artistas consagrados de Mato Grosso do Sul como Davi Cardoso, Almir Sater; Michel Teló; Dino Rocha; Déilio e Delinha; João Bosco e Vinícius, Maria Cecília e Rodolfo, Aracy Balabanian, Ney Matogrosso, dentre tantos outros.

Todo esse trabalho valeu a Luiz Nascimento o reconhecimento da classe formadora de opinião, tanto que hoje constantemente é convidado para proferir palestras a estudantes das redes municipal e estadual de ensino, sempre versando sobre a história e, principalmente, a cultura de Maracaju e de seu povo.

Depois de narrar os principais fatos que marcaram sua vida no contexto artístico-cultural, Luiz Nascimento foi questionado se todo esse trabalho valeu a pena. A resposta foi curta e objetiva: “Valeu a pena. Valeu muito, mesmo. Tanto que, se tivesse que começar tudo de novo, não pensaria duas vezes e recomeçava todo esse trabalho que só me deu alegrias e rendeu-me boas e fortes amizades. E,  com certeza, mais preparado, hoje, procuraria fazer ainda melhor o que já foi feito”.