Chineses arrematam usina de São Simão por R$ 7,1 bilhões

Leilão da usinas da Cermig acontece na B3, em São Paulo - Ana Paula Ribeiro / Agência O Globo

Ágio foi de 6,51%; leilão das hidrlétricas da Cemig acontece em São Paulo

 

Ana Paula Ribeiro e Ana Paula Machado

O Globo – 27/09/2017 10:46

SÃO PAULO – A Spic Pacific Energy, de capital chinês, levou a Usina de São Simão por R$ 7,180 bilhões, um ágio de 6,51% sobre a outorga mínima. Essa era a hidrelétrica de maior capacidade e maior valor a ser arrecadado pelo governo no leilão das quatro usinas da Cemig realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta manhã em São Paulo. Um grupo de sindicalistas contrários a essa venda protesta em frente ao prédio da B3 (ex-BM&FBovespa), onde ocorre o leilão.

A usina de São Simão está localizada no Rio Paranaíba entre Minas Gerais e Goiás. Para esse lote, a Aneel havia fixado uma outorga mínima de R$ 6,7 bilhões. A usina tem capacidade de geração de 1,7 gigawatts de potência.

Enel Brasil, o consórcio Engie Brasil e Aliança Geração Energia são os outros participantes do certame, mas eles não apresentaram proposta pela São Simão.

A usina de Jaguara teve como empresa vencedora a Engie Brasil, que deu um lance de R$ 2,171 bilhões, 13,59% acima do valor mínimo de R$ 1,9 bilhão. Ela disputou a hidrelétrica com a Enel, que ofereceu valor inferior (R$ 1,917 bilhão). A unidade de geração de energia está localizada no Rio Grande, entre Minas e São Paulo, tem potência instalada de 424 megawatts.

O governo espera arrecadar ao menos R$ 11 bilhões com as outorgas de concessão por 30 anos das quatro hidrelétricas – recursos que irão contribuir para o esforço de ajuste fiscal. A Geração Energia é uma empresa formada pela Cemig ou pela Vale, ou seja, a empresa mineira ainda tenta manter parte de seus ativos.

Estão sendo leiloadas as usinas de São Simão (GO/MG), Jaguara (MG/SP), Miranda (MG) e Volta Grande (MG/SP), que juntas possuem uma capacidade instalada de quase 3 gigawatts. Jaguara tem capacidade de geração de 424 megawatts.

O terceiro lote é o de Miranda (408 megawatts), cuja valor mínimo é de R$ 1,1 bilhão. A última hidrelétrica é a de Volta Grande (380 megawatts), com lance mínimo de $ 1,2 bilhão.

Os participantes do leilão entregam os envelopes de propostas para os quatro lotes (cada usina é um lote). Caso a diferença entre as propostas fique inferior a 5%, o certame vai para o viva-voz e sairá vencedor quem oferecer o maior valor.

As quatro usinas que fazem parte do leilão voltaram para as mãos da União porque a Cemig optou por não aceitar as condições de renovação que passaram a vigorar a partir da medida provisória 579, de 2012. Na ocasião, o governo de Dilma Rousseff estabeleceu que as concessões a vencer nos anos seguintes seriam renovadas por mais 20 anos, mas as tarifas que passariam a vigorar seriam menores. A estatal mineira não acatou aos novos termos e chegou a entrar com uma liminar para barrar o certame, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) derrubou essa liminar, garantindo o leilão. Na noite de ontem, o STF também negou pedido para retirar a usina de Miranda desse certame.