Bica D’Água comemora 28 anos de sucesso em Maracaju

Foto: Maracaju Hoje
Paulo Mazzochin. Foto: Maracaju Hoje

“O Brasil é um país de oportunidades e o empresário que consegue conviver com as dificuldades suplanta os obstáculos que se surgem pela frente. Nestes 28 anos foram muitas as dificuldades. Foram muitos planos econômicos. Situação políticas; crise no agronegócio, duas ou três nestes 28 anos”. A afirmação do empresário Paulo Mazzochin, um dos sócios da Bica D’Água Materiais de Construção, retrata as muitas dificuldades enfrentadas pelo empresariado brasileiro nas últimas três décadas. Mas, se os anos foram de dificuldades, houve também os bons momentos. “Tivemos anos bons, com certeza. Hoje, por exemplo, entendemos que a crise que o Brasil está vivendo é mais de ética do que financeira” diz Paulo sobre a realidade nacional momentânea. No último sábado, 22, a Bica D’Água comemorou 28 anos de atividades no município. Na segunda-feira, 24, o empresário Paulo Mazzochin recebeu a reportagem do “MH” e falou sobre esses anos de trabalho e de consolidação da loja como uma das mais sólidas do setor no interior do Estado. Confira a íntegra da entrevista:

MARACAJU HOJE – Como foi a luta nesses 28 anos para construir essa história da Bica D’Água que se confunde um pouco com a história recente de Maracaju?

PAULO MAZZOCHIN – Na verdade, a Bica D’Água é uma empresa familiar que teve início há quase 51 anos. Mais uns dias e serão 51 anos do início das atividades. A história começou pelos três irmãos mais velhos na cidade de Santa Helena, no interior do Paraná. Meu sócio (Rosalino Mazzochin) tem 22 anos de Santa Helena e 28 anos de Maracaju, período do qual faço parte da história. Foram anos de zelo, dedicação, ética e compromisso com nossos clientes. Sob esta filosofia, a tendência é crescer. Sempre tivemos como norte bom atendimento, bons produtos, respeito com o cliente e pela sociedade como um todo você tende a crescer. O Brasil é um país de oportunidades e o empresário que consegue conviver com as dificuldades suplanta os obstáculos que se surgem pela frente. Nestes 28 anos foram muitas as dificuldades. Foram muitos planos econômicos. Situação políticas; crise no agronegócio, duas ou três nestes 28 anos. Particularmente quando iniciamos as atividades em 1989, quando não se tinha a tecnologia atual. Foram anos difíceis? Foram. Mas, tivemos anos bons, com certeza. Hoje, por exemplo, entendemos que a crise que o Brasil está vivendo é mais de ética do que financeira.

MARACAJU HOJE – Da inauguração até os dias atuais vocês da Bica D’Água passaram por um pouquinho do governo Sarney; a passagem do Collor de Mello pela Presidência; os governos Itamar; Fernando Henrique Cardoso (dois); Lula (dois); Dilma (um governo inteiro e parte do segundo mandato) e o atual governo de Michel Temer. Em qual governo a Bica D’Água enfrentou a pior crise, as maiores dificuldades?

PAULO MAZZOCHIN – Acho que a maior crise, mesmo, enfrentamos quando começamos em Maracaju, no ano de 1989. Era Governo Sarney, quando a inflação, se não me falha a memória, ultrapassou a barreira dos 80% ao ano. Aquela regra colocada na Constituição aumentando o mandato de quatro para cinco anos propiciou um ano catastrófico para a nossa economia, o quinto ano do mandato Sarney. Aí veio o Fernando Collor de Mello e o Plano Collor que todo mundo se lembra o que aconteceu. Muita gente ficou sem nada. Quem tinha uma casa e a vendeu para investir, ficou sem nada e passou apagar aluguel. Muitas pessoas quebraram naquele ano. E naquela época veio também a crise na agricultura, afetada pelas dificuldades nos financiamentos e pelos fatores climáticos. Tudo isso aliado ao fato de não se ter na época a tecnologia que se tem hoje. Cassado o Collor, veio o Itamar Franco e com ele o Plano Real e aí a economia começou a andar. Na nossa atividade, porém, nos últimos 10 ou 12 anos é que a coisa deslanchou, começou a produzir frutos.

MARACAJU HOJE – Nesse mesmo período, dá para escolher um melhor momento?

PAULO MAZZOCHIN – Eu pegaria o período de 2005 a 2013. Foi um período em que foram praticados juros de 2,5% a 3% ao ano só existiram naqueles anos. Nunca existiu, antes, no Brasil. Foi um período em que se aproveitou a oportunidade para adquirir veículos para a empresa, caminhões para a entrega. Foram criadas várias oportunidades para a sociedade como um todo construir, ampliar. Todo mundo aproveitou essa fase e melhorou o seu negócio pelos juros que estiveram perto do que deveria ser a nossa realidade.

MARACAJU HOJE – Perspectivas de futuro?

PAULO MAZZOCHIN – Eu sempre acho que há boas perspectivas. Estamos numa região essencialmente agrícola. O agronegócio, diga-se de passagem, é uma das poucas – ou talvez a única – coisas que funcionam bem neste país. O agronegócio está acima da crise. Tem os altos e baixos? Tem. Mas, colhemos uma safra boa, ótima. Tem preços baixos? Tem. Mas, não adianta você ter o saco de soja a 100 reais e ter uma safra de 30 sacas por hectare. Então, acho que todo produtor rural quer colher bem. Ele planta e usa de toda tecnologia possível para colher o máximo. Com safras boas como vimos tendo, a nossa região vai ficar sempre longe das crises por ser região essencialmente agrícola. Na verdade, todas as regiões do país cuja economia está calcada na agricultura passam pelas crises com menos dificuldades que aquelas que não têm o agronegócio presente.

MARAC AJU HOJE – Construção civil: como está o mercado em Maracaju?

PAULO MAZZOCHIN – Está voltando a crescer. Até meados de 2014, o setor estava ótimo. Vimos naquele processo de ascensão. De lá para o início de 2015, deu uma desaquecida. E em 2016 veio a paulada. Agora, em 2017, está reaquecendo de novo. Temos visto que está havendo melhoras na economia, particularmente na nossa região.

MARACAJU HOJE – E o município de Maracaju?

PAULO MAZZOCHIN – A cidade estava muito carente de novos loteamentos. E eles estão surgindo. Tínhamos o problema dos terrenos supervalorizados. Com a abertura de novos loteamentos ocorreu uma amenizada nos preços dos terrenos. O surgimento de novos loteamentos só vem ajudar o segmento, porque reaquece o setor da construção civil. Com certeza vai ter espaço para muito crescimento nessa área por conta da abertura desses novos loteamentos que  não ocorreram durante sete ou oito anos, mesmo diante do crescimento econômico e populacional do município.

MARAC AJU HOJE – Agora, para finalizar, a pergunta mais ordinária do jornalismo: se tivesse que recomeçar tudo, com o foi feito em 1989, você recomeçaria?

PAULO MAZZOCHIN – Olha, se voltasse no tempo e tivesse a saúde e a coragem que tínhamos na época e que continuamos tendo, sim. Por que não? Acho que nesses 28 anos temos resultados muito positivos. Quando se faz um trabalho de respeito à sociedade que nos acolheu; de respeito  ao consumidor, ao cliente, que é a razão da nossa existência, não tem porque não seguir em frente e nem porquê não voltar lá atrás e recomeçar tudo de novo. Eu só não sei se voltaria com o mesmo pique e a mesma saúde, mas, o importante é que são 28 anos com os pés no chão, muita perseverança, muito trabalho e dedicação. E, particularmente, pela equipe que a gente tem que é a razão da empresa existir. Não existe a empresa sem um grupo de pessoas; de colaboradores, pessoas excepcionais que vestem a camisa da empresa, trabalham e têm a visão de futuro e perspectivas de crescimento.

Jota Menon

Paola Loureiro