Ator e comediante desenha o caso Marielle para os pouco letrados e mal-intencionados

Quase tão estarrecedora quanto a execução de Marielle é a pressa e o desespero de muitos brasileiros em tentar desmerecer a vítima. Já que se multiplicam o deboche e a falta de respeito, é necessário desenhar e esclarecer o básico.

Quando se diz que “mas e sobre os outros 60 mil inocentes que morrem por ano vítimas de homicídio no Brasil, ninguém fala nada?” Se quase ninguém age, Marielle agia e lutava pela gente que é assassinada cotidianamente sem que você ou os seus façam nada.

Enquanto você incentiva que este atentado político seja esquecido e deixado pra lá, nos outros 60 mil assassinatos você provavelmente não fez absolutamente nada e não estava nem aí enquanto a vereadora que você despreza – provavelmente por sua atuação política – mexia em um vespeiro que quase ninguém tinha coragem de mexer.

Ela morreu defendendo essas vítimas do dia a dia que você diz que ninguém defende. Curiosamente a maioria dos que a desmerecem apoiam o único pré-candidato que não se manifestou sobre essa execução.

Portanto, não reconhecer que este é um atentado que cala a voz do povo mais excluído e ainda clamar por menos barulho e comoção é atestado de mau-caratismo e hipocrisia. É malabarismo cego.

Apoiam mais truculência o ano todo, mas agora são santos ao lado dos pobres assassinados neste caso.

Não há escolha. Podemos aguçar o senso crítico, debater, pensar, mas é necessário respeitar a vida. Ou a vida só vale quando é de alguém que pensa como você ou tem seu nível social ou sua cor de pele?

Toda vida é igual. A luta e as ideias de Marielle estão vivas!

Fonte: Marcelo Adnet