Artigo: Natal ou hipocrisia

Nunca gostei do espírito natalino, e não foram por falta de ceia, presentes, e nem mesmo falta de família. Ou foi…. Sei lá! Família nem sempre é harmoniosa, mas nada que uma bela noite de Natal juntos não resolva. E assim é o Natal.

A meu modo de ver e pensar, esta festividade é totalmente artificial, desde as decorações de casa, comércio, ruas, até “Papai Noel” com aquela vestimenta vermelha, e a barba branca. E sua touca? Mais parecendo um coador. Geralmente em cima de carro ou nas calçadas com um saco de balas, seu alvo principal são as crianças.

Observo aquelas pessoas que saem para comprar presentes, com uma falsa felicidade estampada na cara, outros saem falando em ajudar os mais necessitados, surgem as mais variadas campanhas de solidariedade, sorrisos forçados… O trânsito fica intenso, ruas tomadas por irresponsáveis nos volantes e arriscando a vida de outras pessoas.

Háaaa! Também tem os desapontamentos dos presenteados. Na maioria das vezes, quando veem os presentes do próximo são atingidos pela cruel desigualdade social. E a tristeza daqueles pais que não podem dar a seus filhos os presentes que eles esperavam. Assim, tudo isso é um abismo de realidade vivida na sociedade em época de Natal.

Hoje saí para dar uma volta pelo comércio, e o encontrei uma colega, esforçando-se além do possível para comprar presentes, não era “um” presente, e, sim vários presentes. Percebi que se afundaria em dívidas apenas para satisfazer uma expectativa forçada, contentar a ansiedade criada em seus filhos, parentes e amigos, tornando-se uma exibição desproporcional das possibilidades financeiras.

Nesta época festiva, os orfanatos se enchem de presentes, geralmente brinquedos velhos, usados, que são doados pelos conhecidos e famosos “filhinhos de papai”. Os abrigos dos idosos recebem filhos, netos, amigos, enfim todos demonstrando solidariedade. Aos que não sabem, muitos passam fome, enquanto outros estão cheio de “Espírito”, esses que passam fome, também passam frio.

E o amor verdadeiro será que existe no coração de cada um? Será que o Natal também significa discriminação de quem pode, sobre os menos favorecidos? É insuportável a falta de humanidade, acompanhada de falsas promessas, solidariedade transformada em obrigação, e nunca de coração. Em alguns casos também seria melhor que trocássemos “Noite de Natal” por “Noite da Hipocrisia”, pelo menos seríamos honestos neste dia…

O Natal poderia ser mais de esperança e fé. Assim, digo aos sábios. REFLITAAAA! Que o Espírito de Natal não se perca entre o ser humano em apenas vaidade e comemoração. Mas, que seja levado ao verdadeiro significado. As festividades natalinas é algo maior que o poder econômico, é olhar para as pessoas que estão em nossa volta como seres humanos, que esse olhar seja no decorrer do ano, e não apenas no Natal. Que o Natal de cada um de vocês possa ser generoso e fraterno.


Ana Cláudia Matos Krul

Professora, Poetisa, Graduada em Letras e Literaturas da Língua Portuguesa pela UFGD; Graduada em Pedagogia pela UEMS; Analista em Metodologia da Língua Portuguesa. Escreve contos, crônicas e poesias desde a adolescência. Sua primeira publicação foi numa coletânea com outros autores em 2015; Participação em Coletânea Internacional, entre outros. Publicou artigo sobre “Contação de Histórias como Prática Pedagógica na Pré-Escola” junto com a Coordenadora do Curso de Pedagogia da UEMS Maracaju na Faculdade do Porto em Lisboa – Portugal. Publica periodicamente seus trabalhos com outros autores na Editora Bilibio, no site Recanto das Letras e Revista Criticartes. Atualmente professora no SESI – Maracaju.