Ao ser preso, Rogério 157 deu a entender que ofereceria suborno

Traficante foi preso escondido debaixo de cobertor após invadir casa no Parque Arará

 

Gustavo Goulart

O Globo – 06/12/2017 – 12h33

RIO – O traficante Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, deu a entender que iria oferecer suborno aos agentes ao ser preso, nesta quarta-feira, no Parque Arará, durante operação das Forças de Segurança. Segundo policiais, ele disse que em 20 minutos poderia resolver tudo. Ao perceber a tentativa de corrupção, um policial chamou imediatamente o delegado Gabriel Ferrando, titular da 12ª DP (Copacabana), que coordenava a ação. Em entrevista na Cidade da Polícia, Ferrando disse a tentativa de suborno não foi direta, mas uma insinuação, ao dizer que os policiais “poderiam fazer a vida aqui”.

A delegada titular da 13ª DP (Ipanema) Cristiana Bento informou que Rogério 157 será transferido ainda nesta quarta-feira para o presídio de segurança máxima Bangu 1 no complexo penitenciário de Gericinó. Ela disse ainda que vai pedir à Justiça a transferência do traficante para um presídio federal fora do Estado do Rio de Janeiro.

Ainda de acordo com policiais civis, ao perceber a chegada da polícia, o traficante deixou a casa onde estava escondido e pulou um muro invadindo a residência ao lado, onde estava uma dona casa estava sozinha. Ele estava escondido debaixo em uma cama debaixo de um cobertor.

Ao se identificar como Marcelo de Souza Silva e dizer que era primo da dona da casa, Rogério 157 foi sabatinado. Como não apresentou documentos, os policiais começaram a fazer perguntas como: “qual o nome do pai da moradora”. Como não soube responder iniciou a tentativa de suborno que foi frustrada. A casa onde ele estava fica a cerca de 300 metros do presídio de Benfica, onde está detido o ex-governador Sérgio Cabral.

Segundo os policiais, o traficante usava um relógio da marca Rolex, tinha as unhas pintadas, o cabelo bem aparado e estava vestido com uma camiseta preta com a frase ‘wild spirit’, espírito selvagem. Não houve um tiro sequer na ação que culminou com a prisão de Rogério 157 por parte dos agentes das 12ª e 13ª DPs (Copacabana), na Zona Sul.

Rogério 157 foi pivô da guerra na Rocinha, iniciada dia 17 de setembro, quando moradores da comunidade testemunharam o confronto entre traficantes. Cerca de 60 bandidos ligados a Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem — que está preso num presídio federal em Porto Velho — invadiram a comunidade para expulsá-lo.

As Forças Armadas foram acionadas para a comunidade no dia 22 de setembro e ficaram até o dia 29. As tropas retornaram mais uma vez, para uma ação de apoio à Polícia Militar.

Desde o dia 18 de setembro, a PM vem reforçando a atuação na Rocinha. São incursões diárias que buscam traficantes que ainda se encontrariam escondidos na região de mata da comunidade.

No 23 de outubro, a turista espanhola María Esperanza Jiménez Ruiz, de 67 anos, morreu vítima de tiros disparados por policiais militares em uma manhã de conflitos na região.

Na noite do dia 25 também de outubro, uma menina de 12 anos foi ferida por uma bala perdida no momento em que deixava uma igreja evangélica na comunidade. Identificada como Ana Clara Barbosa da Silva, foi socorrida por uma ambulância da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da comunidade e levada para o Hospital municipal Miguel Couto, onde passou por cirurgia.