Análise: O que a política separou, a Lava-Jato juntou!

Então candidato ao governo Anthony Garotinho faz corpo a corpo na zona norte durante campanha de 1998 - Ivo Gonzalez / Arquivo

Com as prisões de Cabral, Picciani e Garotinho, passando pelos conselheiros do TCE, não restou um

 

Maiá Menezes

O Globo – 22/11/2017 – 11h54

RIO – Sérgio Cabral foi presidente da Assembleia Legislativa do Rio no governo Anthony Garotinho, que indicou ao Tribunal de Contas do Estado o ex-presidente do órgão Jonas Lopes de Carvalho. Foi no esteio de Cabral que ascendeu o atual presidente afastado do tribunal, Aloysio Neves, seu chefe de gabinete.

Jorge Picciani já era, na época, homem forte, articulador do grupo político que floresceu e dominou o estado por mais de vinte anos. Paulo Melo, também deputado, foi líder do governo e antecedeu Picciani na presidência da Alerj.

Foi com entusiasmado apoio de Cabral que Garotinho se elegeu governador pela primeira vez em 1998. Em 2002, com sonhos mais altos, concorreu à Presidência. Perdeu, mas elegeu sua mulher, Rosinha Garotinho. Com a dobradinha de Cabral, que se tornou senador.

Não havia fissuras. Era um grupo político sólido, que só passou a dar sinais de desgaste anos depois. Em 2006, após ser eleito governador, Cabral rompeu com Garotinho, atingido por denúncias muitas, entre elas de uso de recursos do estado, pilotado por sua mulher, para financiar uma pré-campanha fracassada à presidência pelo PMDB.

Os interesses políticos se desencontraram. Seis anos depois, foi do ex-governador campista a iniciativa de divulgar fotos da já icônica “festa do guardanapo” em Paris. Símbolo das relações nada republicanas entre estado e empreiteiras, já comprovadas na Operação Calicute. O que a política separou, a Lava-Jato voltou a unir. Com a prisão de casal Garotinho hoje, em Campos, não restou um. Do Guanabara ao Tiradentes, passando pelo TCE, o poder político do Rio nos últimos vinte anos está atrás das grades. Às vésperas de 2018.