AGORA – Ataque a mesquita no Egito deixa mais de 80 mortos

Ao menos 80 pessoas morreram em ataque a mesquita no Egito - Reprodução

Homens armados usaram bombas e tiros; vítimas estão sendo transferidas a hospitais

 

POR O GLOBO / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

4/11/2017 10:30 / atualizado 24/11/2017 11:15

CAIRO — Ao menos 85 pessoas morreram e 80 ficaram feridas após homens armados atacarem uma mesquita na península do Sinai, no Egito, com bombas e tiros, disse a agência estatal MENA, citando uma fonte oficial. As vítimas estão sendo transferidas aos hospitais locais, e nenhum grupo ainda reivindicou a autoria. O governo egípcio declarou três dias de luto, e o presidente Abdel Fattah al Sisi, convocou um encontro de segurança de emergência após o ataque, segundo a TV estatal.

O ataque aconteceu na mesquita de Al Rawdah em Bir al-Abad, oeste da cidade de Arish, capital da província do norte do Sinai. Três policiais afirmaram que homens saíram de quatro carros e abriram fogo contra fiéis durante as orações de sexta-feira.

As forças de segurança egípcias lutam contra uma insurgência do Estado Islâmico no norte do Sinai, onde militantes vem matando centenas de policiais e soldados há três anos. Os terroristas geralmente têm como alvo a polícia, mas também expandem seus ataques a igrejas cristãs e peregrinos. O afiliado do Estado Islâmico na região se chama Wilayat Sinai e é predominantemente formado por combatentes do grupo local insurgente Ansar Beit al-Maqdis, que jurou fidelidade ao califado do grupo extremista enviando pessoas para lutar na Síria em 2014.

ATAQUES A POLICIAIS – Desde que as Forças Armadas destituíram, em 2013, o presidente Mohamed Mursi, ligado à Irmandade Muçulmana, os grupos extremistas têm multiplicado atentados contra militares e policiais. Sob o impacto de uma repressão severa, a Irmandade Muçulmana, um movimento poderoso que durante muito tempo foi a principal força de oposição no Egito, dividiu-se em várias tendências rivais, entre os partidários e os opositores da ação armada.

Diferente do Iraque ou da Síria, o EI no Egito não conseguiu entrar nos grandes centros urbanos, mas reivindicou vários ataques mortais contra igrejas coptas em dezembro de 2016 e abril de 2017. No total, mais de uma centena de coptas morreram em três ataques no Cairo, Alexandria e Tanta (norte do Egito).

Trinta e cinco policiais foram mortos numa emboscada no Egito em outubro, a 200 quilômetros a sudoeste do Cairo, num dos piores ataques desde o lançamento, em 2013, de uma série de atentados extremistas contra as forças de segurança. No mesmo mês, seis soldados egípcios morreram nas mãos de “elementos terroristas” num ataque no norte do Sinai, e a facção egípcia do EI — “Província do Sinai” — reivindicou o assassinato de 14 soldados egípcios num duplo ataque suicida perpetrado numa base militar perto de Al Arish.

Em um dos atentados mais sangrentos, pelo menos 21 soldados morreram em um posto de controle de tráfego em 7 de julho. Por sua vez, o pequeno grupo extremista Hasm reivindicou desde 2016 vários ataques contra policiais, oficiais e juízes no Cairo.