Produção de ovinos como oportunidade de negócios

Por muito tempo os ovinos foram animais desvalorizados por produtores rurais. Não se sabia como criar esta espécie, lidar com as adversidades e tão pouco como prepará-lo para o consumo. Criou-se um hábito cultural burlesco de menosprezar ou doar esse alimento nobre em troca de favores.

Muitos ainda não sabem do potencial desta atividade, haja vista que a carne do cordeiro é muito melhor remunerada do que a carne bovina, além de sua produção ser muito mais eficiente (fazer mais com menos). Foi neste contexto que o zootecnista Thiago Cunha, graduado há 14 anos, descobriu uma fonte de renda extra e uma estratégia para produção vertical. Sua experiência em fazendas da Nova Zelândia e Europa vieram a contribuir para sua filosofia de trabalho e não a copiar os sistemas desses países; outrossim, sua experiência como aeronauta, pelegrino e especialista e mestrando em zootecnia ajudaram a encorajá-lo a tomar decisões e empreender tal sistema de criação. Qualquer produtor, por menor que seja o grau de escolaridade ou experiência na área, se encaixa no sistema de produção de ovinos: querer é poder.

A introdução da espécie ovina, encaixa-se perfeitamente nas propriedades essencialmente produtoras de bovinos, atividade predominante no país. O mercado da carne ovina é muito promissor, já que as agroindústrias autóctones abastecem só 10% deste alimento às gôndolas dos mercados nacionais, enquanto 90% é importado de países vizinhos como Argentina e Uruguai. Estes animais poderiam ser explorados nas mesmas condições ambientais dos bovinos, salvo alguns critérios: seleção e bem-estar.

A criação exige mais técnica e atenção, em contrapartida pode ser até quatro vezes mais rentável do que a produção de gado de corte. Há vários detalhes na criação que podem ser elucidados a partir da internet, profissionais e produtores de sucesso. A cadeia produtiva encontra-se mais estabilizada, hoje com a associação sul-mato-grossense dos criadores de ovinos – ASMACO – e a existência de frigoríficos na capital com selo de inspeção, permitem maior segurança e escoamento deste produto para dentro e fora de Mato Grosso do Sul.

A seleção dos ovinos é crucial para o progresso da criação, considerando que todos os defeitos e doenças congênitas estão presentes no DNA e são transmitidos para gerações subsequentes. Os ovinos são animais indubitavelmente mais sensíveis que os bovinos, por isso a importância da higienização das instalações, pois os dejetos são vetores de moscas e parasitas que podem comprometer a sanidade desses animais, além do desconforto e estresse gerados.

A introdução de um calendário sanitário é compulsória na atividade. Doenças como clostridioses ou linfadenite caseosa, são a amálgama da criação. Vermífugos aplicados a animais sadios só contribuem para a resistência dos endoparasitas; por isso a importância do exame clínico individual da mucosa ocular averiguando a escala de cores deste tecido que pode evidenciar a presença de vermes – método Famacha. Do mesmo modo, a técnica de contagem de ovos por grama de fezes (OPG), demonstra acurácia para o tratamento racional dos animais acometidos.

Outro entrave na produção, como a presença de predadores, pode ser controlado através do consórcio entre ovelhas e cães, mais precisamente da raça Maremano, que vem sendo o guardião do rebanho ovino. Assim, não necessariamente seria via de regra estabular esses animais em abrigos no período noturno a fim de protegê-los, uma vez que o custo das instalações no Brasil é oneroso e também a alta densidade pode promover doenças ou desconforto que refletirão negativamente para os índices de produção (concepção, natalidade, sobrevivência ou engorda).

O aumento do plantel ovino não é diretamente proporcional a construções de mais barracões para abrigar estes animais. É possível explorá-los ao relento, selecionando os resilientes e descartando os vulneráveis ou improdutivos. Desta maneira é possível diminuir o custo de produção e promover maior conforto a estes, já que precisam deitar-se para promover os hormônios benéficos para o crescimento e reprodução, refletindo em maior produtividade.

O Brasil é o único país no mundo capaz de multiplicar sua produtividade agrícola. A adoção de novos conceitos e tecnologias, além da conscientização, são os primeiros passos para a melhoria da atividade. Toda grande jornada inicia-se com um primeiro passo e para adquirir o que nunca tivemos, teremos que fazer o que nunca foi feito. A diferença não está no conhecimento, mas sim na vontade de vencer.